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De Portugal para Heliópolis


O Estado de São Paulo - 22.02.08

De Portugal para Heliópolis
As aulas são divididas em: linguagem e suas tecnologias; ciências naturais e ciências humanas.

MARIA REHDER, maria.rehder@grupoestado.com.br

Os 1,3 mil alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Presidente Campos Salles, em Heliópolis, periferia da Zona Sul, encontraram uma escola totalmente diferente na volta às aulas. Durante as férias as paredes internas foram derrubadas. Em vez das 10 classes onde estudavam, eles se depararam com 4 grandes salões onde passaram a estudar diariamente com colegas de outras duas turmas.

Além do espaço físico, as aulas também mudaram: são eles quem definem a ordem das atividades que realizam ao longo do período escolar, o que pode variar desde pesquisas no computador até exercícios matemáticos. E a avaliação é contínua, apenas com provas semestrais. Um grupo de quatro alunos - duas meninas e dois meninos - estava empolgado com a classe que dividiam com outra turma de 4ª série. 'É muito divertido estudar com as outras turmas', disse um deles enquanto ajudava uma aluna a concluir o sudoku (jogo japonês).

Essa mudança física e ideológica é fruto de um modelo pedagógico - adotado por essa escola municipal há dois anos - que foi inspirado na Escola da Ponte, de Portugal, onde os alunos estudam com colegas de diferentes idades (veja ao lado).

A adoção da nova pedagogia, segundo Braz Rodrigues Nogueira, que é diretor dessa Emef desde 1999, foi uma decisão tomada em conjunto com a comunidade de Heliópolis para melhorar o aprendizado dos alunos. 'Como tínhamos casos de crianças com sérias dificuldades de leitura e escrita, percebemos que aquele modelo tradicional de carteiras enfileiradas e o professor na lousa não estava funcionando.'

É neste contexto que o modelo da Escola da Ponte se encaixou. 'Apresentamos a proposta a todos os professores na época, que aprovaram esse novo modelo.' Entretanto, Braz explica que, após dois anos, a derrubada das paredes internas fez-se necessária para que a nova pedagogia fosse colocada em prática.

A orientação dada aos docentes é que formassem grupos de alunos e que os motivassem a tirar as dúvidas entre si, antes de consultar o professor. 'Mas notamos que alguns professores adotaram a pedagogia da 'maçaneta'. Ao fechar a porta, davam aulas tradicionais.'

O JT visitou ontem a Emef Campos Salles e acompanhou as aulas de 1ª a 4ª séries nos novos salões. Em cada um deles, diferentes turmas de uma mesma série tinham aulas juntas. Em espaços com mais de 100 alunos, os professores conseguiram manter a ordem e os estudantes se engajaram na realização de tarefas em conjunto.

Maria Carolina Carmelossi, professora de 3ª série que ingressou na Emef este ano, aprovou a novidade. 'Achei que seria impossível manter mais de 100 alunos em um salão, mas eles realmente definem entre eles as atividades que vão fazer do roteiro proposto.'

As aulas são divididas por três áreas: linguagem e suas tecnologias (o que inclui português, informática, educação artística); ciências naturais (matemática e ciências) e ciências humanas (história e geografia), e não por disciplinas. 'Nós professores elaboramos um roteiro dentro dessas áreas e entregamos aos alunos. Eles é que buscam o conhecimento nos livros. O professor atua como um orientador', explica a professora de informática Mara Lúcia de Napoles. No entanto, alguns professoras ainda têm dificuldades. E Braz reconhece que essa transformação leva tempo para se consolidar.

A ESCOLA DA PONTE

Idealizada pelo educador português José Pacheco, a Escola da Ponte é uma instituição de ensino pública, que fica em Vila das Aves, a 30 Km do Porto. Fundada há 32 anos para atender crianças carentes, só recentemente é que foi reconhecida pelo Ministério da Educação de Portugal

Seu modelo pedagógico não trabalha com segmentação em anos de escolaridade, não oferece aulas expositivas e aboliu as provas e a padronização do horário

São os alunos que buscam o conhecimento em conjunto. O profe

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Jornal O Estado de São Paulo

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