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Sexta-Feira , 07 de Outubro de 2022
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Fonte da juventude está em calorias reduzidas


Folha de São Paulo 02-10-09

Fonte da juventude está em calorias reduzidas, vinho ou laboratório, dizem cientistas

da France Presse, em Washington

A chave da juventude --ou, pelo menos, de sua extensão-- está nos efeitos trazidos pela redução do consumo calórico no organismo, dizem cientistas.

Desde a década de 1930, a ciência sabe, com base em experimentos com ratos e, mais recentemente, macacos, que reduzir 30% das calorias absorvidas pode prolongar a vida destes animais em até 40%, evitando, ainda por cima, doenças ligadas ao envelhecimento. Desta forma, ganham não apenas anos de vida, mas também preservam sua saúde por mais tempo.

Há vários anos, diversas pesquisas --uma delas realizada por cientistas britânicos e publicada na quinta-feira (1º) na revista americana "Science"-- indicam que é possível obter os mesmos efeitos benéficos sem que seja necessário parar de comer.

Estes trabalhos mostram que a manipulação genética também pode ajudar: ao bloquear a proteína S6 Kinasa 1 (S6K1), presente nestes animais e também nos seres humanos, é possível alcançar resultados semelhantes.

"Os ratos fêmeas que não produziam a proteína S6K1 viveram mais tempo, eram mais magros, mais ativos e tinham melhor saúde do que os do grupo de controle", escrevem os autores do estudo.

O estudo abre um potencial caminho para medicamentos que evitem o aparecimento de doenças ligadas ao envelhecimento em humanos, estimam os pesquisadores.

"Estamos subitamente mais perto de tratamentos contra o envelhecimento do que acreditávamos", comemorou David Gems, do University College de Londres, um dos coautores do trabalho.

Outros estudos também demonstraram que o bloqueio da proteína S6K1 gera um aumento da atividade de outra molécula, a AMPK, que funciona na regulação da quantidade de energia nas células.

A AMPK é ativada quando os níveis de energia diminuem, o que acontece quando a quantidade de calorias ingerida é reduzida.

Medicamentos como a metformina, que estimula a AMPK, já são usados em pacientes diabéticos.

Estudos recentes feitos por cientistas russos revelaram que a metmorfina contribui para aumentar o tempo de vida de ratos, citam os autores dos trabalhos sobre a proteína S6K1.

Já a rapamicina, um imunodepressor usado para evitar a rejeição de um órgão transplantado, poderia ser usada nos homens contra os efeitos do envelhecimento em sua forma atual, indica uma pesquisa feita com ratos, publicada recentemente na revista britânica "Nature".

A rapamicina também bloqueia a produção da proteína S6K1.

Apostando neste potencial, a companhia americana Sirtris Pharmaceuticals utiliza o resveratrol, um potente antioxidante que pode ser encontrado no vinho tinto e em várias frutas.

Os cientistas da Sirtris, que também são pesquisadores da Faculdade de Medicina de Harvard (Massachusetts), descobriram que o resveratrol é capaz de ativar a produção de proteínas sirtuinas, que têm os mesmos efeitos fisiológicos alcançados com a restrição do consumo calórico.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u632318.shtml

Folha de São Paulo

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