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Escolaridade é arma contra a demência


jt.com.br - 09.11.09

Escolaridade é arma contra a demência

Pesquisa mostra que quanto mais anos de estudo, menores são os sintomas da doença

Humberto Maia Junior, humberto.maia@grupoestado.com.br

Pesquisadores do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC/USP) mostraram que a escolaridade pode fazer com que uma pessoa com demência não sinta os efeitos da doença - como perda de memória e dificuldade de raciocínio - e viva como se tivesse o cérebro sadio. Mais importante: para ocorrer a melhora não é preciso um grande currículo acadêmico. Alguns anos na escola e hábitos de vida que estimulem o cérebro podem blindá-lo contra os sintomas.

A demência pode surgir por vários fatores, como diabetes, hipertensão, hereditariedade e envelhecimento natural. Cerca de 60% dos casos resultam no mal de Alzheimer, doença degenerativa que provoca manifestações como a perda de memória, dificuldades na fala, irritabilidade, agressividade e leva o paciente a se desligar da realidade. O que a escolaridade pode fazer não é evitar o aparecimento da doença, mas o desenvolvimento dos sintomas.

Mais escolaridade

Geriatra do HC, José Marcelo Farfel analisou 141 cérebros de idosos mortos com mais de 80 anos e entrevistou os familiares deles sobre os hábitos escolares dessas pessoas em vida para chegar à conclusão.

Foram criados três grupos: um dos que tiveram demência em estado avançado e sofriam de perda de memória ou incapacidade para realizar atividades básicas; o segundo, de pessoas normais e com cérebro saudável; a descoberta estava no terceiro grupo - de quem tinha o cérebro danificado pela demência mas que, segundo relatos dos parentes, sempre foi lúcido.

Farfel descobriu que pessoas desse terceiro grupo tinham cerca de quatro anos de escolaridade - mais que a média do grupo que apresentou os sintomas. É pouco se comparado com níveis de países desenvolvidos - de 9 a 15 anos - mas, segundo o especialista, reflete a realidade nacional dos idosos de hoje.

“Mostramos que o indivíduo que estuda mais tem mais chance de aguentar as lesões (provenientes da demência) sem desenvolver os sintomas”, disse Farfel. “A média de estudo encontrada é pequena, mas mesmo poucos anos já oferecem muito mais proteção do que se a pessoa fosse analfabeta.” Aos benefícios da escolaridade, Farfel chama de reserva cognitiva. Quanto mais, melhor.

Só que não são apenas os anos na escola que dão essa reserva cognitiva, que é acumulada ao longo da vida, diz o geriatra do Hospital das Clínicas e professor da USP Wilson Jacob. “Muitos indivíduos usam o intelecto, a criatividade e a capacidade de raciocínio sem que isso seja decorrência da escola”, diz. “A escolaridade é apenas um marcador.” Ou seja, o importante é manter o cérebro estimulado durante a vida inteira.

O ideal, segundo Jacob, é fugir de rotinas e variar as atividades. “O que estimula o funcionamento cerebral é o aprendizado”, diz. “Um músico, por exemplo, deve ler partituras diferentes das que está habituado. E uma cozinheira, fazer sempre novos pratos.”


COMO ESTIMULAR O CÉREBRO


Evitar fazer sempre o mesmo caminho, seja a pé ou de carro. O ideal é optar por uma rota na ida e outra, diferente, na volta

Aprender línguas, leituras variadas e programas de TV diversos


Provar comidas novas e, sempre que possível, procurar identificar os sabores dos temperos


Ao ouvir música, prestar atenção aos instrumentos musicais, notando a diferença entre eles


Conversar bastante, trocar ideias e experiências


Variar atividades simples, como fazer a mesa. Em vez de começar pelos copos, por exemplo, iniciar a arrumação pela disposição dos pratos ou dos talheres


Variar a ordem de leitura dos cadernos de um jornal - esporte, geral, variedades, etc.


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Jornal da Tarde

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