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Esquerda ou direita


Portal do Governo do Estado de São Paulo - 15.12.09

Esquerda ou direita?

O Estado de S. Paulo

Toda a atenção em Copenhague. Líderes mundiais, políticos e ambientalistas, cientistas e jornalistas discutem um acordo global sobre o clima. Entre o pessimismo e o otimismo, uma certeza: o aquecimento do planeta acende luz amarela para o futuro. Hora de ação.

A crise ecológica vem de longe denunciando, agora definitivamente, a falência do modo de produção erigido nos últimos séculos. Tanto faz a cor ideológica. Capitalismo e socialismo nunca ligaram para a ecologia. Por isso o ambientalismo sempre mostrou dificuldades para ser politicamente rotulado.

Ainda na época da guerra fria parecia bucólico discutir a depredação da natureza. Concorrendo entre si pela supremacia mundial, a ex-URSS e os EUA mostravam a mesma visão deturpada sobre o crescimento econômico. A poluição era vista, por ambos os lados, como o "preço do progresso".

Os ambientalistas foram chamados pelos conservadores de "melancias", quer dizer, verdes por fora, vermelhos por dentro. Esse apelido se justificava mais pela novidade que os ecologistas representavam do que propriamente por suas posições políticas. Na esquerda socialista, sem nenhuma tradição com o tema ambiental, muitos os consideravam uma espécie de anarquistas verdes, chamados depreciativamente de "porras-loucas".

Após o fim do comunismo e a distensão política mundial, grupos de ecologistas europeus fundaram os Partidos Verdes, mostrando certa independência da política tradicional. Ao mesmo tempo, as modernas questões ecológicas começaram a ser adotadas pelos antigos partidos políticos, sem distinção ideológica. Foi bom.

Ao chegar ao Brasil, onde o sistema partidário sabidamente é mais frágil, uma miscelânea de posições confunde a coloração ideológica do ambientalismo. O antigo rótulo, aliás, anda confuso em geral. Como enquadrar o "chavismo"? Aparelhar o Estado pela companheirada soa a esquerda, em nome da revolução, ou a direita, nas vantagens pessoais?

O MST, por exemplo, supõe-se pertencer à esquerda radical. Mas as invasões de terra invariavelmente destroem grandes remanescentes vegetais do País. Florestas são consideradas ainda "terra ociosa", nunca "reservas de biodiversidade". Na Amazônia, a motosserra que deita gigantes árvores não distingue assentamentos rurais de latifúndios.

O dilema contemporâneo situa-se noutro contexto, fora do debate ideológico entre "esquerda" e "direita". Para o ambientalismo, pouco importa saber se o regime é capitalista ou socialista, neoliberal ou estatizante. A questão essencial reside na compreensão sobre o desenvolvimento, se sustentável ou predatório. Progressistas defendem as energias renováveis, para fugir do fóssil petróleo; conservadores defendem termoelétricas movidas a óleo combustível. Polêmica típica do século 21.

Neste momento de transformação das economias mundiais, processo inescapável para o Brasil, a presença do Estado, atuando de forma ativa, será fundamental. Nada que ver, porém, com essa discussão tola, manipulada pelo lulismo, sobre governo "privatista" ou "nacionalista". Pura bobagem.

A necessária descarbonificação das economias mundiais vai provocar grandes modificações no modo de exploração, na produção de riquezas e no padrão do consumo humano. Países como o Brasil só têm a ganhar nesse processo. Sua maior vantagem reside no potencial das energias renováveis, abundância invejada no mundo.

Claro está que o mercado, por si só, jamais conseguirá, em tempo hábil, caminhar no sentido desejado do desenvolvimento sustentável. Poderá, talvez, com apoio de novas tecnologias e mudança de métodos, aprimorar suas técnicas, reduzindo parte da poluição. Mas o aquecimento global atesta que não basta consertar os estragos ambientais causados pelo crescimento da economia. Tampouco aprimorar as tecnologias mantendo o padrão de produção. Não. O porvir exigirá algo mais profundo, uma verdadeira revolução. Um novo paradigma.

Quem supõe que a agenda ambiental freia o progresso raciocina de forma tradicional, conservadora, como se fazia no século passado.

http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=206582&c=6

estadão.com.br

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