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Figuras do Natal


jt.com.br - 23.12.09

Figuras do Natal

Representar a Sagrada Família é atividade das mais rentáveis em Taubaté. Lá, é tradição fabricar presépios

GILBERTO AMENDOLA, gilberto.amendola@grupoestado.com.br

Segundo o Velho Testamento, Deus teria moldado o homem a partir do ‘pó da terra’ - ou seja, do barro. Impossível não recuperar essa analogia bíblica ao ver as figureiras de Taubaté, cidade do Vale do Paraíba (a 134 quilômetros de São Paulo), moldando a Sagrada Família. Com esse trabalho, essas artesãs não estão apenas mantendo a tradição da montagem dos presépios viva, mas também retribuindo um gesto divino.

Nesta época do ano, Taubaté se transforma no maior centro produtor de presépios do Estado de São Paulo. Estima-se que quase mil figureiras (mulheres que trabalham na confecção de imagens religiosas) atuem na cidade. No mesmo período, a prefeitura tem promovido concursos para escolha do melhor presépio particular e estimulado escolas públicas a criar suas próprias peças. Lá, é possível encontrar presépios tradicionais ou propostas ousadas, como um em que a manjedoura foi criada a partir de pneus.

“Minha mãe foi figureira, a mãe da minha mãe foi figureira, minha filha será figureira também”, diz Josyane Aparecida Sampaio, 50 anos. Segundo ela, o trabalho de modelar pequenas figuras iniciou-se quando os frades do Convento de Santa Clara de Taubaté montaram um presépio, com peças vindas da Itália. “O povo imitou as peças usando a argila aqui da cidade. Isso virou um meio de vida em Taubaté”, conta Josy.

Um presépio pequeno, com a representação da Sagrada Família, pode custar, em Taubaté, cerca de R$ 30. “Nós vendemos para comerciantes de São Paulo, que, às vezes, cobram R$ 90 pela mesma peça”, revela Arlete Josey Sampaio, 42 anos. Os presépios de Taubaté também podem ser encontrados em muitos países da Europa e nos Estados Unidos.

Engana-se quem acha que toda representação de Maria, José, do Menino Jesus e dos próprios Reis Magos são sempre as mesmas. “Cada figura tem o semblante da sua figureira. Toda figura vai com o nosso estado de espírito. Se estou triste, Maria sai mais tristinha. Se estou feliz, Maria sai mais luminosa”, conta Fabiana Aparecida Santos Campos, 28 anos.

Com as artesãs produzindo peças expressivas e de rara beleza, as casas de Taubaté começam a se enfeitar. Em algumas delas, não há árvores de Natal, mas gigantescos presépios. É o caso da residência do balconista de farmácia Ademir Moreira dos Santos, 28 anos. Na casa dele, o presépio ocupa toda a sala (e isso não é figura de linguagem). “Meus avós já tinham essa tradição. Agora, cada ano meu presépio cresce um pouquinho”, diz Santos - fazendo os últimos reparos dentro do próprio presépio.

Santos compra algumas imagens das figureiras, mas também produz suas próprias. “Uso biscuit (uma espécie de massa de modelar) para fazer pássaros e figuras mais delicadas”, diz ele. No presépio de Ademir Santos, existe um pequeno lago, onde ele coloca peixes de verdade. Além disso, toda a grama usada na manjedoura e nos seus arredores é de verdade. “Gasto uns R$ 5 mil com essa montagem.”

Já na família de Benedito Guilherme Ramos de Faria, 65 anos, a montagem do presépio serve para unir os parentes. “Todo mundo faz um pouquinho. Um coloca as luzinhas, outros, os santos, e assim por diante.” Faria explica que os presépios de Taubaté são mais realistas porque contam com a sabedoria sertaneja. “Só quem é da roça sabe em que posição tem que se colocar as ovelhinhas e os outros animaizinhos.”



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Jornal da Tarde

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