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Sábado , 01 de Outubro de 2022
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E pensar que isso era prisão


jt.com.br - 10.02.10

E pensar que isso era prisão

Como foi o primeiro dia de leitores na incrível biblioteca erguida no mesmo terreno do temível Carandiru

ANA CAROLINA RODRIGUES, anac.rodrigues@grupoestado.com.br

Em um passado não muito distante, um aglomerado de pessoas paradas à Avenida Cruzeiro do Sul, em Santana, bem poderia indicar mais um dia de visitas na temida Casa de Detenção de São Paulo, nacionalmente conhecida como Carandiru. Com cenário e realidade bem diferentes do começo dos anos 2000, quando o presídio foi implodido para dar lugar ao Parque da Juventude, a movimentação ali agora sacia a curiosidade dos visitantes da recém-inaugurada Biblioteca de São Paulo.

Aberta ao público desde as 9h de ontem, as primeiras horas do espaço foram concorridas. Os ponteiros ainda não haviam alcançado o horário de abertura e algumas pessoas já esperavam a liberação dos funcionários para começar a desbravar as prateleiras recheadas com um acervo de mais de 30 mil livros.

O primeiro a se posicionar na entrada foi o vendedor autônomo Camilo de Souza Vasquez, 49 anos. Assim que foi autorizado a andar pelas alamedas da Biblioteca de São Paulo não foram os livros, mas as revistas que o seduziram.

“Gosto de ler reportagens especiais e, como estou de folga, resolvi dar uma passada para usar o computador e ler os jornais.” Morador do Centro da cidade, o vendedor, de tão empolgado com a quantidade de material à sua volta, nem notou que era o primeiro a subir as escadas. “Sou o primeiro?, perguntava enquanto percorria com os olhos capas de outras revistas. Atrás dele vinha um jovem, que procurava por livros evangélicos e que preferiu não dar entrevista.

Moradora da zona leste, a professora Andréia Ávila Gomes Batista, 29 anos, estava curiosa para conhecer o espaço de tanto que ouviu falar sobre ele. Resultado: foi a terceira a chegar ao local. Não demorou para que uma prateleira, tomada por best-sellers, chamasse sua atenção. “Quero levar O Caçador de Pipas.” Marido de Andréia, o inspetor de qualidade Robson Batista, 28 anos, não resistiu a um volume que presta tributo a Michael Jackson (1958-2009). “Sou muito fã dele. Já tinha visto esse livro nas lojas, mas era um pouco caro. Agora vou poder levá-lo para casa.”

Vinte minutos depois de ser oficialmente aberta, já não era mais possível contar quantos visitantes andavam pela Biblioteca de São Paulo. Aos poucos, ela foi sendo tomada por estudantes uniformizados, crianças e adultos que andavam por todas as partes. No meio de tanto movimento, o primeiro empréstimo foi feito uma hora depois da abertura. Nas mãos da aposentada Antônia Santos, os títulos Predador, Echo Park e A Rainha do Castelo de Ar foram os primeiros a deixarem a biblioteca. “Trouxe uma lista com dez livros. Achei todos. O acervo é muito bom”, diz Antônia, fã assumida de romances policiais. E por que não levar mais títulos se achou todos? “Ah, três já está bom.”De acordo com o regulamento da biblioteca, cada frequentador pode retirar cinco livros de cada vez.

De carteirinha nas mãos, feita na segunda-feira, dia reservado apenas à cerimônia de inauguração, a aposentada faz parte de um grupo de 147 pessoas que se cadastraram antes mesmo de a biblioteca abrir suas portas para empréstimos. “Achei que ontem (anteontem) eu já poderia retirar. Como não deu, voltei hoje e pretendo frequentar sempre.”

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Jornal da Tarde

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