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Domingo , 25 de Setembro de 2022
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ONU recorda o impossível de esquecer


ONU recorda o impossível de esquecer

Por Selina Rust, da IPS


Nova York, 12/4/2010 – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, prometeu que a comunidade internacional nunca mais ficaria de braços cruzados diante de um massacre como o cometido há 16 anos contra a população civil de Ruanda. A resistência de numerosos membros do Conselho de Segurança da ONU dificultou o trabalho da Missão de Assistência a esse país, o que impediu que centenas de milhares de vidas fossem salvas. “Como tudo teria sido diferente se a comunidade internacional tivesse agido de forma correta e a tempo”, disse Ban. “A melhor forma de recordar os que perderam a vida de forma trágica em Ruanda é comprometer nossa determinação e evitar outro genocídio”, disse na semana passada, quando as Nações Unidas recordaram o massacre de 1994.

No dia 6 de abril daquele ano, a guarda presidencial, o exército, a polícia e conhecidos empresários ruandeses instigaram a morte de integrantes da etnia tutsi e hutus moderados. Cerca de 800 mil pessoas foram assassinadas com machados, pistolas, paus e com simples força bruta em menos de cem dias. A cerimônia deste ano, organizada em conjunto com a Missão Permanente em Ruanda, contou com velas e um espetáculo musical com participação de jovens ruandeses e músicos internacionais, e foi projetado o documentário “As we forgive”.

Os sobreviventes e os ruandeses, em geral, continuam sentindo as consequências do genocídio, 16 anos depois, destacou Eugène-Richard Gasana, representante permanente de Ruanda na ONU. “Ainda é necessário expandir a capacidade dos programas para tratar problemas psicológicos e investir em novos que ajudem a superar traumas subjacentes”, disse. “Enfrentamos o desafio da reconciliação de nosso povo, da reconstrução da nossa economia e da restauração de nossa dignidade e nosso amor próprio”, acrescentou.

A comunidade internacional deve aprender com seus fracassos em Ruanda, Camboja e na localidade bósnia de Srebrenica, afirmou Edward Luck, assessor especial para responsabilidade de proteger. “Temos de entender que a responsabilidade de proteger é permanente, é dos governos, dos grupos armados, das organizações internacionais e das pessoas”, ressaltou. “Ter de reconhecer que ainda nos esforçamos para encontrar formas mais seguras de evitar um genocídio e promover a responsabilidade de proteger faz pensar”, acrescentou.

Em janeiro de 2009, Ban divulgou um documento detalhando três elementos importantes da responsabilidade de proteger: o Estado, a assistência internacional e a construção de capacidades para saber dar uma resposta decisiva no momento preciso. “O debate sobre os três pilares continuará. Mas a comunidade internacional adota uma postura firme e solidária contra o genocídio, os crimes de guerra e contra a humanidade e a limpeza étnica”, disse Ban. Antes de prevenir é preciso criar sistemas de controle e mecanismos de alerta para intervir de imediato, disse à IPS Gasana, referindo-se aos três pilares. “É uma questão de liderança. Temos de envolver todo mundo, pois vivemos em uma aldeia global. É só sentar e conversar, simples assim, sem preconceitos”, disse.

O Tribunal Penal Internacional para Ruanda proferiu as três primeiras sentenças da história para um órgão desse tipo. “Essa e outras medidas judiciais enviaram uma mensagem clara aos genocidas e a quem tentar cometer ações semelhantes. Simplesmente, seus crimes atrozes não ficarão impunes”, disse Gasana. Também dá esperança aos sobreviventes de massacres como a ruandesa Jacqueline Murekatete, que perdeu sua família quando tinha nove anos.

Murekatete compartilhou sua experiência de integrante da etnia tutsi que viveu em um país onde sua origem era um crime punido com a morte. “Hoje lembro o inesquecível dia em que fiquei sabendo que minha família tinha sido levada para fora de casa e arrastada até um rio próximo aonde assassinaram a todos como se fossem animais”, contou. “Ainda recordo as noites em que ouvia o choro de meninos e meninas que tiveram braços e pernas arrancados”, acrescentou. A m

http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=72665&edt=9

IPS/Envolverde

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