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Estudos sobre funcionamento da sociedade grega


www.envolverde.com.br - 03.05.10

Laboratório estuda funcionamento da sociedade grega antiga


O Laboratório de Estudos da Cidade Antiga (Labeca) do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), da Universidade de São Paulo (USP) acaba de lançar dois DVDs que reúnem informações sobre Siracusa, cidade grega situada na região da Sicília (Itália).

O primeiro DVD traz filmagens e fotografias da cidade, feitas em campo por perquisadores do laboratório. Segundo a professora do MAE, Maria Beatriz Florenzano, que coordena o Labeca, o acervo do laboratório é composto atualmente por 17 horas de filmagem e cerca de 4 mil fotografias feitas em campo, além de grande quantidade de textos.

“Siracusa foi fundada no século VIII a.C., passou pelos gregos, romanos, normandos e bizantinos, e hoje vive em torno dessas memórias”, destaca Maria Beatriz. Ela informa que o Labeca se dedica ao estudo do ambiente construído das cidades gregas dos períodos arcaico, clássico e helenístico, entre os séculos VIII e II A.C.
Estudiosos pesquisam evolução da sociedade grega ao longo de seis séculos

“Um teatro grego da antiguidade existe até hoje na cidade e foi incorporado à cultura contemporânea, com a apresentação de danças, shows, entre outras manifestações”, afirma a pesquisadora. Ao mesmo tempo, a professora observa um choque de interesses entre a necessidade de sobrevivência e a preservação do patrimônio.”Conhecemos em Siracusa uma senhora que planta uvas para a produção de vinho na região, e em algumas ocasiões, ela passava o arado na plantação e esbarrava em objetos bizantinos ou romanos.”

O segundo DVD reúne trechos longos de uma peça encenada no teatro daquela cidade. Também são reproduzidas imagens de outros teatros da Grécia, de forma a posicioná-los como atividades culturais e religiosas da Grécia Antiga. “A intenção é colocar os materiais do laboratório à disposição do grande público”, destaca a professora do MAE.

Estudos
Desde que foi oficialmente criado, em 2006, o Labeca passou a ser uma fonte de pesquisa para especialistas da área e professores de faculdades, de cursos preparatórios e dos ensinos médio e fundamental. Segundo Maria Beatriz, a ida de parte dos pesquisadores à Grécia e a regiões da Itália, que na antiguidade estavam sob domínio grego, ajudou no desenvolvimento dos estudos e até serviu para questionar algumas teorias e mitos enfatizados atualmente.

“Os textos mais antigos, por exemplo, mostram uma mulher sem espaço na sociedade grega. Acreditam que somente o homem era cidadão, porque tinha o poder do voto”, afirma a professora. “Porém, os pesquisadores perceberam a preponderância que ela tinha no controle da casa, a maneira como a imagem dela aparece nos cemitérios”.

De acordo com a professora, a intenção do Labeca é mostrar que a contribuição da sociedade grega para o mundo vai além da visão política, tão enfatizada nos livros de história. ”O espaço dirigido aos escravos também nos trouxe algumas conclusões”, aponta “Em Atenas, vimos que eles exerciam posições de comando em muitos aspectos”.

As linhas de pesquisas que norteiam o trabalho dos 32 pesquisadores — professores, estudantes e técnicos vão desde a formação da pólis (cidade antiga) —, passam pela religião, economia, identidade, até o planejamento urbano. Um projeto temático apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) permitiu a compra de equipamentos de última geração, como computadores usados para edição de imagens, e a contratação de sete pesquisadores bolsistas. Além disso, os cientistas também receberam recursos para a realização de viagens ao exterior, para recolher material de pesquisa e adquirir bibliografia específica.



(Envolverde/Agência USP de Notícias)

http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=73772&edt=40

Agência USP de Notícias

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