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Terceiro alerta


www.envolverde.com.br - 26.05.10

Terceiro alerta

Por Alex Sander Alcântara, da Agência Fapesp


Agência Fapesp – “O cientista deveria ser um grande contador de histórias, para levar informação científica à sociedade de modo que todos, mas especialmente os jovens, descubram o mundo da natureza”, disse o ambientalista americano Thomas Lovejoy, presidente do Heinz Center for Science, Economics and Environment e consultor do Banco Mundial para sustentabilidade, no sábado (22/5), durante palestra em comemoração ao dia Internacional da Biodiversidade.

A afirmação de Lovejoy – que criou o termo "diversidade biológica" – referia-se ao papel do cientista na tarefa de construção de uma “consciência pública” para reverter o processo de perda de biodiversidade. “Precisamos reverter esse processo. Para isso, a decisão passa por todas as instâncias do poder, mas passa também pelo envolvimento de toda a sociedade”, disse à Agência FAPESP.

O evento, realizado no Palácio dos Bandeirantes, teve a presença do presidente da FAPESP, Celso Lafer, representando o governador Alberto Goldman, e foi organizado pelo Programa Biota-FAPESP como parte das atividades do Ano Internacional da Biodiversidade, declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Lovejoy destacou pontos importantes do Terceiro Panorama da Biodiversidade Global (Global Biodiversity Outlook - GB3), recém-lançada publicação da Convenção sobre a Biodiversidade Biológica (CBD) da ONU.

O documento é baseado em cerca de 500 trabalhos científicos e em relatórios nacionais e cruza dados de outros relatórios, como o Living Planet Index e o Red List Index.

A conclusão mais categórica do panorama ressalta que a meta de redução da perda da biodiversidade para 2010 não foi alcançada em nível mundial. As populações de espécies de vertebrados reduziram-se em quase um terço, em média, entre 1970 e 2006, e continuam caindo globalmente, de forma mais severa nos trópicos e entre espécies de água doce.

Lovejoy, que foi chefe responsável pela revisão do documento, apresentou o quadro atual da biodiversidade e focou em alguns pontos específicos do panorama, em especial no caso da Amazônia, que ele pesquisa há mais de quatro décadas.

"Os cenários apresentados não são animadores, mas, apesar de as metas não terem sido cumpridas, é preciso manter o otimismo. Os resultados são uma oportunidade para melhorar e criar soluções e buscar novas formas de explorar a biodiversidade de forma sustentável”, disse.

O relatório aponta que das 11 metas acordadas por governos de todo mundo em 2002 nenhuma foi alcançada globalmente, apesar de em algumas ter havido pequenos avanços, como a situação das espécies ameaçadas, classificada como “algum progresso”, e a redução da poluição e de seus impactos sobre biodiversidade, que figura no texto como “progresso significativo”.

No entanto, o consumo não sustentável aumentou e continua a ser uma grande causa da perda da biodiversidade. Além disso, muitos recursos biológicos que sustentam meios de subsistência, como peixes, mamíferos, aves, anfíbios e plantas medicinais, estão em declínio, afetando as populações mais pobres.

De outro lado, existem dados um pouco mais animadores. Segundo o panorama, de 1970 a 2006 as áreas de proteção terrestres no mundo aumentaram de 4 milhões para 14 milhões de quilômetros quadrados. Houve também um aumento nas áreas marinhas protegidas.

“Contudo, a meta a ser atingida em 2010 era que pelo menos 10% de cada região biologicamente relevante no mundo deveria estar dentro de uma área protegida”, disse Lovejoy. Segundo o relatório, 44% das ecorregiões terrestres (zonas com uma grande proporção de espécies e tipos de habitats partilhados) e 82% das ecorregiões marinhas se encontram abaixo do objetivo de 10%.

Savazinação da Amazônia

O Terceiro Panorama da Biodiversidade Global considera que as cinco principais pressões que estão causando diretamente a perda da biodiversidade são alterações nos habitats, sobreexploração, poluição, espécies exóticas invasivas e alterações climáticas.

As previsões climáticas há cerca de seis anos

http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=75048&edt=13

Agência FAPESP

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