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Terça-Feira , 27 de Setembro de 2022
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Entrevista: Não existe lixo. Tudo é nutriente


www.envolverde.com.br - 09.09.10

Não existe lixo. Tudo é nutriente\". Entrevista especial com Jacques Saldanha

Por Redação IHU

“Nossos \"lixos\" nos aproximam do comportamento \"humano e sanitarista\" da matriz desta visão do mundo eurocêntrica”, ressalta Jacques Saldanha durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line. Ao entender o marco regulatório acerca do tratamento do lixo urbano, Saldanha explica que, para ele, lixo é algo que não existe. “Tudo o que não serve, sobra ou é excretado por uma espécie será, de alguma forma, o nutriente e a fonte de sobrevivência de outra”, explica. Para ele, “tanto o plástico quanto o Bisfenol A são ícones deste momento de nossa história planetária que nos abre, por sua crise socioambiental, oportunidades de nos tornarmos alfabetizados ecológicos”.

Com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, realizada no início de agosto, o país passa a ter um marco regulatório na área de resíduos sólidos. A lei deixa clara a diferença entre o que é resíduo e que é rejeito e reúne princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes para a gestão dos resíduos sólidos. O projeto responsabiliza ainda as próprias empresas pelo recolhimento de produtos descartáveis e estabelece a integração de municípios na gestão dos resíduos. Além disso, segundo esta lei, toda a sociedade é responsável pela geração de lixo.

Luiz Jacques Saldanha, que concedeu a entrevista a seguir por email, é engenheiro agrônomo e ambientalista.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o senhor analisa esse marco regulatório para o tratamento de lixo urbano no país aprovado recentemente?

Luiz Saldanha – Sem dúvida que toda a situação em que encaramos e esclarecemos o que vinha sendo levado, há décadas, de forma turva e confusa, é um passo importantíssimo. A partir daí, temos instrumentos para sabermos como enfrentaremos esta dramática vergonha que a sociedade ocidental gerou e ampliou para todos os rincões deste planeta. Parece mentira que se precisou mais de 20 anos para que esta vergonha seja não só reconhecida como, pela primeira vez, assumida.

No entanto, mesmo com este passo, a essência de ser uma vergonha continua. Isso porque ainda estamos agindo como analfabetos ecológicos. Analfabetos porque ainda não nos demos conta de todo este manancial de matérias-prima que produzimos e, ao invés de chamá-lo por seu verdadeiro nome, insistimos em denominá-lo como “resíduos”. O ecologista fundamental de nosso tempo, o gaúcho José Lutzenberg [1], dizia que muitas vezes aquilo que chamamos de poluição é uma coisa certa no lugar errado. E aqui está, no meu ponto de vista, uma coisa certa sendo conceituada de forma errada.

Não existe lixo



Na natureza, como nos lembra o físico e ecologista austro-norteamericano Fritjof Capra [2], não existe resíduo. Tudo o que não serve, sobra ou é excretado por uma espécie será, de alguma forma, o nutriente e a fonte de sobrevivência de outra. Ou seja, considerarmos o que nos sobra, o que excretamos ou o que não nos serve como um lixo e isso demonstra um grande desconhecimento do ambiente planetário ao qual estamos irremediavelmente ligados e visceralmente vinculados. A não ser que o que geramos como resíduo seja antinatural, artificial e/ou insalubre. Aí sim, o ciclo da vida poderá ser contaminado, intoxicado e/ou violentado.

Mas, como ainda decidimos fazer parte desta visão de mundo ocidental, dar “nomes aos bois” nesta área de nossos “dejetos”, nossos “lixos” nos aproximam do comportamento “humano e sanitarista” da matriz desta visão do mundo eurocêntrica. Mundo que não só reverenciamos, mas também queremos imitar. Chegando até a perdoar algum “pequeno engano” como a recente exportação de containeres de lixo pela Alemanha, como vimos há poucos dias atrás no porto de Rio Grande. Assim, criar formas legais de impedir que “joguemos” tudo fora, indiscriminadamente, como viemos fazendo, sejamos entes públicos, indústrias ou consumidor comum, em nossos ambientes mais sagrados, como áreas de banhado, mangues, várzeas, pedreiras e espaços últimos de vegetação nativa... já nos coloca muito próximos do

http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=80587&edt=1

IHU

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