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Estrada no deserto leva a descoberta no Egito


www.ultimosegundo.ig.com.br - 14.09.10

Estrada no deserto leva a descoberta no Egito

Casal de arqueólogos faz novas descobertas viajando por estradas abandonadas no deserto ocidental egípcio

The New York Times

Ao longo das duas últimas décadas, John Coleman Darnell e sua esposa, Deborah, caminharam e dirigiram por trilhas de caravanas a oeste do Nilo, partindo dos monumentos de Tebas – cidade hoje chamada de Luxor. Essas e outras estradas desoladas, castigadas pelo tráfego milenar de humanos e burros, pareciam levar a lugar nenhum.

Fazendo o que eles chamam de arqueologia de estradas desertas, os Darnells encontraram porcelanas e ruínas em locais onde soldados, mercadores e outros viajantes acamparam na época dos faraós. Num penhasco de calcário com uma encruzilhada, eles se depararam com um quadro de cenas e símbolos, algumas das mais antigas documentações da história egípcia. Em outro local, eles encontraram inscrições consideradas os primeiros exemplos da escrita alfabética.


As explorações da Pesquisa das Estradas Desertas de Tebas, um projeto da Universidade Yale conduzido pelos Darnells, atraiu atenção à antes subestimada importância das rotas de caravanas e povoações em oásis da antiguidade egípcia. Duas semanas atrás, o governo do Egito anunciou o que pode ser a descoberta mais espetacular da pesquisa.

Cidade no deserto

Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, afirmou que os arqueólogos encontraram extensas ruínas de uma povoação – aparentemente um centro administrativo, econômico e militar – que floresceu há mais de 3.500 anos no deserto do oeste, 180 quilômetros a oeste de Luxor e 480 quilômetros ao sul de Cairo. Numa época tão antiga, nenhum centro urbano como esse jamais foi encontrado no inóspito deserto.

John Darnell, professor de egiptologia em Yale, disse numa entrevista na semana passada que a descoberta poderia reescrever a história de um período pouco conhecido do passado egípcio e do papel desempenhado pelos oásis, aquelas ilhas de plantas e palmeiras e fertilidade, no renascimento da civilização depois de uma crise negra. Outros arqueólogos não envolvidos na pesquisa afirmaram que as descobertas eram impressionantes e que, assim que for publicado um relato mais detalhado e formal, elas certamente agitarão o mundo acadêmico.

O sítio de quase 1000 quilômetros quadrados fica no oásis de Kharga, uma faixa de áreas bem irrigadas numa depressão norte-sul com 100 quilômetros de extensão, no planalto de calcário que se espalha pelo deserto. O oásis fica ao final da antiga Estrada Girga de Tebas e em sua interseção com outras estradas do norte e do sul.

Uma década atrás, nesse oásis, os Darnells identificaram pistas de um assentamento da época do domínio persa, no século VI a.C., como nos arredores de um templo.

“Não haveria um templo aqui se esta região não possuísse alguma importância estratégica”, disse Deborah Darnell, também especialista em egiptologia, numa entrevista.

Então ela começou a coletar peças de porcelana anteriores ao templo. Algumas cerâmicas eram importadas do Vale do Nilo ou até de Nubia, no sul do Egito, mas muitas eram produtos locais. Evidências de uma “produção de cerâmica em larga escala”, apontou Darnell, “é algo que você não encontraria a menos que aqui houvesse um assentamento com uma população permanente, e não apenas sazonal ou temporária”.

A padaria
Foi em 2005 que os Darnells e sua equipe começaram a coletar as evidências que os levariam a uma importante descoberta: ruínas de muros de tijolos, pedras amoladoras, fornos com montes de cinzas e moldes de pão quebrados.

Descrevendo a meia tonelada de artefatos de padaria coletada, além de sinais de uma guarnição militar, John Darnell disse que a povoação estava “assando pão suficiente para alimentar um exército, literalmente”. Isso inspirou o nome do sítio, Umm Mawagir. A frase em árabe significa “mãe dos moldes de pão”.

Além disso, segundo Darnell, a equipe encontrou restos que seriam possivelmente um prédio administrativo, silos de grãos, salas de armazenamento, oficinas de artesãos e as fundaç

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The New York Times

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