> Sistema Documentação
> Memorial da Educação
> Temas Educacionais
> Temas Pedagógicos
> Recursos de Ensino
> Notícias por Temas
> Agenda
> Programa Sala de Leitura
> Publicações Online
> Concursos & Prêmios
> Diário Oficial
> Fundação Mario Covas
Boa tarde
Sexta-Feira , 07 de Outubro de 2022
>> Notícias
   
 
A última coisa de que a África precisava


www.envolverde.com.br - 09.12.10

A última coisa de que a África precisava

Por Stephen Leahy, da IPS



(IPS/TerraViva) –

A África será uma das regiões mais afetadas pela mudança climática, e isso ameaçará a segurança alimentar do continente, alerta um estudo que será divulgado este mês. Já para 2035 a previsão é que, se as temperaturas mundiais aumentarem dois graus, a África austral poderá chegar a uma elevação média de 3,5 graus.

O Centro Hadley do britânico Escritório Meteorológico alertou que as temperaturas mundiais médias podem chegar a aumentar quatro graus até 2060, se não pararem as emissões de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa. “A previsão para a agricultura e a segurança alimentar na África subsaariana em um mundo quatro graus mais quente é funesta”, escrevem os autores de uma edição especial do Philosophical Transactions of the Royal Society, que será publicada em janeiro.

“Uma elevação de quatro graus será horrível, e deve ser evitada a todo custo”, disse Philip Thornton, do Instituto Internacional de Pesquisa em Pecuária de Nairóbi e coautor de um informe para essa publicação especial, intitulado “Quatro Graus e Mais: o Potencial de um Aumento de Quatro Graus nas Temperaturas Mundiais e suas Implicações”. E “esta edição especial é um chamado à ação, para que possamos evitar semelhante futuro”, disse Thornton à IPS/TerraViva.

Mesmo surgindo um novo tratado climático na 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que acontece até amanhã em Cancún, um aumento de dois graus parece inevitável, acrescentou. Desta perspectiva realista, ninguém espera um tratado climático exaustivo por vários anos. Isto significa que a África austral poderá ficar 3,5 graus mais quente e muito mais seca no futuro, afirmou Thornton. “As coisas serão muito difíceis para a agricultura que se alimenta de chuvas nesta região”, alertou.

Um aumento de dois graus seria devastador inclusive para África do Sul, Zimbábue, Botsuana e outros países vizinhos, disse Lance Greyling, integrante do parlamento sul-africano. “Não podemos ter uma alta superior a 1,5 grau no mundo, e essa é a posição da África desde a COP 15, de Copenhague”, que aconteceu há um ano, disse Greyling em entrevista realizada no México, durante o fórum sobre mudança climática da Organização Global de Legisladores para o Equilíbrio Ambiental (Globe). A água é uma enorme limitação que pesa sobre a agricultura e a economia da África do Sul, uma vez que 98% dos recursos de água doce já estão destinados, explicou.

É preciso trabalhar muito para ajudar os agricultores a se adaptarem a estas novas condições, o que incluirá o desenvolvimento de variedades resistentes ao calor e às secas, ressaltou Thornton. Aprender com outras regiões que têm condições similares às esperadas na África austral nos próximos 20 a 30 anos, bem como trazer sementes destas regiões, terá de fazer parte da estratégia de adaptação.

Isto também significa que cultivos que exigem grandes quantidades de água, como o milho, terão de ser substituídos por mandioca, milho e sorgo. Isso implicará uma mudança social, já que a população local prefere amplamente o milho, e a preparação dos demais cultivos é diferente e pode ser mais difícil, afirmou. “É um enorme desafio”, advertiu Thornton.

As projeções climáticas para o resto da África subsaariana estão menos claras em um mundo dois graus mais quente. As mudanças nos padrões que regem estações e chuvas vêm ocorrendo há 20 ou 30 anos, e a expectativa é de que continuarão. Temperaturas mais elevadas significam que os cultivos precisarão de mais água, e a previsão é que as chuvas serão similares ou menos abundantes, especialmente nas regiões secas. E, o que é mais importante, é provável que as chuvas aconteçam em menos ocasiões e com períodos secos mais longos, o que dificultará a atividade agrícola na medida em que o planeta esquentar.

O estudo concluiu que, em um mundo dois graus mais quente, o custo de alcançar o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio sobre segurança alimentar – que

http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=84562&edt=1

(IPS/TerraViva)

Para mais informações clique em AJUDA no menu.

 





Clique aqui para baixar o Acrobat Reader