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Sábado , 01 de Outubro de 2022
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O movimento em prol do brincar


www.estadao.com.br - 17.01.11

O movimento em prol do brincar

Iniciativa repudia rotina cheia de obrigações das crianças e ressalta a importância da brincadeira para o desenvolvimento

Karina Toledo - O Estado de S.Paulo

O bom desempenho dos alunos chineses em avaliações internacionais tem chamado atenção para o modelo educacional do País, baseado em disciplina, preparação obsessiva para as provas e quase nenhum tempo para o lazer. Mas um número crescente de educadores, psicólogos e pais defende a ideia de que é brincando que as crianças adquirem as ferramentas para serem bem-sucedidas.


Leonardo Soares/AEAndrea montou barraca na sala para a filha julia, de 3 anos
Os jogos e o faz de conta possibilitam exercitar comportamentos adultos, elaborar conflitos, aprender regras de convivência em grupo e desenvolver habilidades como criatividade, liderança e solução de problemas. E foi justamente a preocupação com o futuro profissional das crianças americanas que motivou o grupo Play for Tomorrow (Brincar pelo Amanhã) a lutar por políticas públicas para resgatar o espaço destinado ao lúdico nas escolas e nos lares.

Segundo dados da entidade, em 1981 as crianças gastavam cerca de 40% de seu tempo brincado. Em 1997, o número havia caído para 25%. Nas últimas duas décadas, milhares de escolas americanas eliminaram a hora do recreio para dedicar mais tempo a atividades acadêmicas.

No Brasil não existem estatísticas similares, mas especialistas afirmam que também aqui o "play time" está sendo consumido por atividades extracurriculares e pelas horas passadas em frente a uma tela. Levantamento feito pelo Ibope aponta que as crianças brasileiras gastam, em média, cinco horas diárias assistindo à TV.

"Meninos e meninas estão cada vez mais confinados em condomínios, onde estão supostamente protegidos. Mas acabam sofrendo outro tipo de violência, pois se relacionam sozinhos com a tecnologia", afirma a psicóloga Lais Fontenelle, do Instituto Alana.

Para ela, é fundamental lutar pela revitalização dos parques e das praças públicas, espaços que oferecem às crianças experiências mais ricas que aquelas vivenciadas em playgrounds de prédios e clubes.

Televisão, internet e videogame passaram a ser tranquilizantes, diz Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Distrações que não requerem montagem, bagunça ou sujeira. "Os pais estão perdendo a riquíssima oportunidade de passar tempo com seus filhos. Nem sequer sabem como brincar de massinha. Sentem-se bobos e desajeitados", diz.

Filão. Essa dificuldade de muitos pais virou uma oportunidade de negócio para a psicóloga Flávia Nabuco, que criou, na zona oeste da capital paulista, um espaço destinado a promover atividades lúdicas, como pintura com os dedos. "Quando você deixa a criança engatinhar, rolar no chão ou se sujar na areia, ela aprende como o corpo funciona e adquire noção espacial. Tudo isso estimula a formação de sinapses e cria ferramentas no cérebro que serão úteis no futuro", diz.

Mãe de três filhos - Sophia, de 9 anos, Marina, de 8, e Murilo, de 2 anos e 7 meses -, Flavia acredita que as crianças de hoje são muito intelectualizadas. "Os pais as colocam em tantas atividades e não percebem o quanto a brincadeira livre é importante", defende.

Mas não basta deixar brincar, é preciso participar da brincadeira, diz Marcos Kisil, diretor da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. "É brincando que se constrói o laço de afetividade e confiança entre pais e filhos. Se o adulto não exercita esse lado, vai ter dificuldade para se comunicar com o filho o resto da vida."

Para a executiva de contas Andrea Soares, de 38 anos, isso nunca foi problema. Todas as noites, ela e o marido dedicam seu tempo para a filha Julia, de 3 anos. "A maior diversão para ela é brincar de casinha. Nós somos os filhos e ela, a mamãe", conta Andrea. "É uma troca, pois como ela nos imita durante a brincadeira, podemos avaliar como estamos nos saindo no papel de pais."

No meio da sala de estar, Andrea montou um cantinho para a filha com barraca e mesa para pintar, desenhar e modelar

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110116/not_imp666832,0.php

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