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Sábado , 01 de Outubro de 2022
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Educação e presença da família


www.envolverde.com.br - 21.01.11

Educação: presença da família como vetor de qualidade

Por Dal Marcondes, da Envolverde


Educação é um consenso. Ninguém é capaz de minimizar a importância da educação para as transformações necessárias à sociedade brasileira em seu caminho para construir uma nação desenvolvida. No entanto, há muitas dúvidas em relação ao que é necessário para a transformação dos processos educacionais para que estudantes dos mais diversos ciclos possam ter aproveitamento pleno das oportunidades educacionais e transformarem-se em cidadãos educados em ciência, engenharia, sociologia, filosofia, línguas e todos os conhecimentos necessários para uma sociedade complexa.

Outro consenso da sociedade é a impossibilidade de se fazer observações ou críticas em relação ao trabalho dos professores vinculados ao ensino público. O Estado os trata com descaso. Dá mais importância a estruturas de cimento e tijolos, tanto que não há mais problemas de vagas nas escolas públicas do Estado de São Paulo. No entanto, destas escolas emergem estudantes despreparados, incapazes de interpretar textos mais elaborados, sem nenhuma intimidade com a matemática ou com a tabela periódica. Uns poucos, mais talentosos, superam as carências das salas de aula graças a esforços individuais ou familiares, mas a grande maioria vai formar uma massa de cidadãos incapazes de ocupar os cargos técnicos, científicos e de gestão necessários para uma nação moderna.

Tratamos, historicamente, os professores como coitados abnegados, e uma grande parte vestiu a carapuça. Escolas estaduais não tem professores em quantidade necessária para fazer frente ao número de alunos que suas salas de aula podem receber (então fecha-se algumas salas e superlota-se outras). Diretores estão sempre em uma dança das cadeiras onde estão sempre buscando um cargo melhor ou que demande menos trabalho na estrutura da Secretaria de Educação. Poucos são os que assumem suas escolas e trabalham para que a qualidade do ensino ajude a superar o círculo de ignorância e pobreza de populações de mais carências do que esperanças.

Durante dois anos estive à frente da Associação de Pais e Mestres do Colégio Alves Cruz, em uma região nobre de São Paulo, perto de uma estação de Metro, com uma linda praça em frente e a poucas centenas de metros da avenida Paulista. Um escola bem construída, com salas de aula arejadas e bons espaços para recreação e esportes. Nem por isso uma escola com bom desempenho educacional. Nos dois anos que estive à frente da APM vi passar pelo Alves Cruz meia dúzia de diretores, nenhum deles comprometido com a escola ou com a qualidade de ensino daquela unidade. Apenas fazendo hora para assumir um novo cargo, de preferência burocrático, e que não tivesse de lidar diretamente com professores e alunos.

Esta experiência também mostrou o afastamento das famílias do ambiente escolar. Mandamos filhos para a escola e nos desligamos da responsabilidade com a educação. Não há comparecimento de pais nas atividades realizadas nas escolas, poucos vão às reuniões com professores e quase ninguém quer compromissos com as APMs. No entanto, a experiência serviu para mostrar que uma APM ativa, capaz de diálogo com diretores, orientadores pedagógicos, com os estudantes e até com a Secretaria de Educação é fundamental para melhorar a qualidade de ensino das escolas. Mais do que medidas genéricas, para toda a rede, a qualidade virá de medidas locais, nas escolas, onde pais, estudantes e professores podem estruturar uma nova forma de relacionamento e de comprometimento com o resultado que se espera.

Exemplos simples de ações dos pais são profundamente transformadores. Nesta escola haviam alunos que compravam bebidas alcoólicas no supermercado em frente. O supermercado dizia que eram maiores de idade, portanto não poderiam restringir a venda. Uma conversa dos pais com os responsáveis pelo estabelecimento pôs fim a esse comércio. Outro caso foi o do barulho nas salas de aula, provocados por cadeiras com pés de metal sendo arrastadas em pisos frios. Uma ação dos pais instalando protetores de borracha

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