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USP: debate dos prós e contras da energia nuclear


www.envolverde.com.br - 21.03.11

O Brasil quer energia nuclear?

Por Ana Carolina Amaral, da Envolverde


Na USP, debate dos prós e contras da energia nuclear termina com pedido de “mais democracia”.

Não foi só para a França, onde 80% da energia vem de usinas nucleares, que o acidente de Fukushima gerou ansiedade. O Congresso Brasileiro já convocou a Eletronuclear, empresa responsável pelas nossas usinas atômicas, para apresentar a situação do país quanto à segurança nuclear.
As informações sobre essa preocupação brasileira surgiram após a mesa-redonda realizada na Universidade de São Paulo, na ocasião de lançamento do livro “Energia nuclear: do anátema ao diálogo”, organizado pelo economista e professor da FEA-USP José Eli da Veiga. O debate já estava na agenda há alguns meses, mas o acidente japonês fez um público intrigado lotar o auditório da Faculdade de Economia e Administração da USP.

De um lado, o físico do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, José Goldemberg, pediu calma. “Devemos acompanhar essa tecnologia, mas não temos urgência em ampliar nosso parque nuclear”, considerou, pedindo também mais prudência por parte do governo brasileiro. Ele lembra que coisas bem menores que um tsunami já seriam capazes de “provocar” um reator – afinal não foi propriamente o terremoto, mas a interrupção na corrente elétrica o que impediu o resfriamento dos reatores em Fukushima.

“A tecnologia é traiçoeira”, ele alerta antes de arrematar. “O sistema elétrico falha em Itaipu por causa de um raio. É a anedota brasileira”.

Do outro lado do debate está o engenheiro da Eletronuclear Leonam dos Santos Guimarães, que defende o uso de energia nuclear como complementar à hidrelétrica. Segundo ele, o Brasil é o mais modesto país do grupo do BRIC no planejamento de usinas nucleares. “Essa modéstia é um bom sinal: a energia limpa e barata das hidrelétricas continuará predominando”, posiciona-se Leonam, frisando que o seu uso é complementar ao citar o Plano Nacional de Energia 2030, ano para o qual é previsto um aumento de 57000MW de geração de energia de fonte hidrelétrica, enquanto o acréscimo de nuclear deve ser de 4000MW - figurando próximo das previsões para a eólica (mais 3000MW) e biomassa (mais 4500MW).

O engenheiro também alegou que o Brasil tem a 5ª maior reserva de urânio do mundo e é um dos poucos que junto a essa abundância possui a tecnologia para aproveitá-la – só os Estados Unidos e a Austrália também têm a combinação.

No mundo, a nuclear já representa 16% da produção de energia e ainda estão em construção mais 45 usinas e em planejamento outras 47. No Brasil, há estudos para uma instalação no Nordeste, com seis reatores, potência de 6600 MW e investimento previsto de R$ 10 bilhões. A construção de Angra 3, que está em andamento e deve ser concluída até 2015, é alvo de protestos da ONG Greenpeace, embalados pelo susto provocado por Fukushima. Perguntado sobre essa campanha, Leonam ignorou o relatório [R]evolução Energética - publicado pela ONG como alternativa brasileira para uma geração de energia limpa e segura, baseada em renováveis e reforçada pela eficiência nos processos de transmissão. Respondeu apenas que a posição da ONG é “permanentemente ideológica”, acrescentando que ele é “contra radicalismos.”

Enquanto Leonam usa em sua defesa o fato de um dos fundadores do Greenpeace, Patrick Moore, ter afirmado que “a água e o átomo são o par perfeito”; Goldemberg acusa de ser justamente o balanço de carbono da energia nuclear o grande problema. “Ela conquista ecologistas por ser carbono zero”, lamenta o físico, citando James Lovelock, pai da teoria de Gaia, entre os entusiastas que tinham medo do aquecimento global. “Ora, o aquecimento global será um desastre daqui cem anos, a nuclear pode trazer um desastre imediato”, compara, ao que alguém na platéia levanta a mão e aponta que após o acidente de Chernobyl “a natureza se recuperou com mais exuberância”. A resposta de Goldemberg esclarece sua preocupação. “Seres humanos são diferentes de plantinhas.”

Condenar a energia nuclear não é uma tarefa difícil, já que o

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