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Griots, os guardiões da história oral


www.envolverde.com.br - 27.04.11

Griots, os guardiões da história oral

por Igor Ojeda, de Senegal, para o Brasil de Fato

Na tradição africana, são os griots, não os livros, que transmitem a história de um povo ao longo dos tempos.

Alguns anos atrás. Então, a avó de Mandiaye decidiu se casar com uma árvore.

Em idade avançada, tinha acabado de ficar viúva, e a tradição islâmica, religião do esposo recém-falecido, determinava que contraísse matrimônio outra vez. Mas ela, animista, não queria outro homem. Após receber a permissão por um sonho que tivera, mandou plantar uma muda de baobá no quintal de casa. O baobá que seria seu futuro marido.


Um sábado de fevereiro de 2011. Sob uma tenda de madeira e palha, Mandiaye Ndiaye explica as bases do animismo, a religião de 1% dos senegaleses e presente em muitos países africanos e ao redor do mundo. É um sábado de sol e estamos na vila de Diol Kadd, uma das 32 da Comunidade Rural Ndièyenne Sirakh, na província de Khombolé, no interior do Senegal. A tenda de madeira e palha é o local onde os sábios animistas se reúnem. Logo ao lado, está a mesquita da vila, de tijolo, mas sem telhado. O islamismo e o animismo convivendo no mesmo espaço.

Nas últimas décadas, a animismo foi perdendo força no Senegal, embora tanto o islamismo (professado por cerca de 90% da população) quanto o cristianismo (algo em torno de 9%) incorporaram alguns de seus elementos.

Mandiaye conta que o animismo não é uma religião dogmática. Cada seguidor acredita em seu deus, professa sua fé a sua maneira. Os deuses podem ser qualquer coisa, concreta ou abstrata. Uma pessoa, um animal, uma árvore. Uma pedra. O sonho. O da família de Mandiaye era justamente o sonho. E quem os interpretava em Diol Kadd era a avó de Mandiaye.

Algumas horas mais cedo. É por volta das sete e meia da manhã que se inicia o dia na vila de Diol Kadd. Estamos no inverno do hemisfério norte, e o sol acaba de sair. Não há luz elétrica; os 500 habitantes locais dormem logo que anoitece e despertam assim que amanhece. Entre as ruas de areia da vila, começam a aparecer pouco a pouco as pessoas. Uma vendinha abre suas portas. Uma menina compra uma baguete para o café da manhã. Dois homens tocam cabras nos arredores. Um senhor observa a movimentação sentado em uma raiz de árvore. Uma mulher passa com seu filho pendurado nas costas.

A população de Diol Kadd vive basicamente da agricultura e do pastoreio, assim como mais de 60% dos senegaleses. Planta amendoim, sêmola, uma espécie de feijão e uma erva local. Cria vaca e cabra. Uma parte da produção é para consumo local, a outra é vendida. O Senegal é um grande exportador de amendoim. E o cuscuz, feito da sêmola, é um dos pratos nacionais. Com a erva, fazem chá.

Mas, segundo a organização Social Watch Senegal, o país é o que mais tem problemas de soberania alimentar da África Ocidental, situação que vem sendo agravada pelo aumento dos preços do petróleo – que faz crescer os custos de produção – e das superfícies de terra destinadas para a produção de agrocombustíveis, por exemplo. Hoje, ainda segundo a Social Watch Senegal, o país do oeste africano importa de 70 a 80% do arroz que consome, 100% do trigo e 50% dos demais cereais.

Desde os anos 1990, o Senegal vem sendo um dos melhores “alunos” de instituições como FMI e Banco Mundial. Assim, no período, o governo pôs em marcha uma série de privatizações, destacando-se a das empresas públicas de água, telecomunicações e energia.

Na área alimentar, o Executivo senegalês extinguiu a Sonagraines, a empresa responsável pela comercialização do amendoim, e estruturou uma rede de 400 comercializadores privados do produto, deixando seus cultivadores à mercê desse setor.

Durante o café da manhã. Mandiaye conta que a vila de Diol Kadd está dividida entre progressistas e tradicionalistas. Literalmente: uma rua separa as casas dos dois lados. Os desentendimentos se dão, principalmente, na forma de se cultivar os alimentos. Segundo Mandiaye, há alguns anos houve um grande debate na aldeia sobre o melhor momento para se fazer o semeio.
Para ler este artigo na íntegra, acesse:

http://envolverde.com.br/educacao/mundo-educacao/griots-os-guardioes-da-historia-oral/

Brasil de Fato

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