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Cabe todo mundo na Flip?


Revista Época 07.07.11

Cabe todo mundo na Flip?


Em 2009, 20 mil pessoas estiveram na Flip. Com quase 30 mil ingressos vendidos neste ano, o desafio é acomodar tanta gente em uma cidade colonialEm um país considerado “de poucos leitores”, os ingressos para as mesas de debate da oitava edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, no Rio de Janeiro, se esgotaram com rapidez comparável à de grandes shows de rock ou desfiles de escola de samba. Em menos de uma hora com as vendas abertas, acabaram as entradas para ver as três principais estrelas do evento, o quadrinista Robert Crumb, a escritora Isabel Allende e o poeta do rock Lou Reed, que acabou cancelando sua vinda ao Brasil. No fim do primeiro dia, já estavam esgotadas dez mesas. No terceiro dia, não havia mais ingressos para 18 dos 21 eventos principais da Flip. A uma semana da festa, 30 mil ingressos já foram vendidos – o número total de ingressos não foi divulgado.
Sucesso absoluto, certo? Não é tão simples. Desde 2003, quando começou, o crescimento do número de turistas durante a Flip é impressionante. E assustador. Pulou de 12 mil pessoas em 2006, quando a organização começou a contar oficialmente, para 20 mil no ano passado. Tudo isso em uma pequena cidade colonial, espremida entre dois rios, a mata e o Oceano Atlântico. Para a economia de Paraty, o evento é perfeito e já movimenta mais dinheiro – algo em torno de R$ 5 milhões – do que qualquer outra festividade anual, como Carnaval ou Ano-Novo. Mas já virou rotina faltar água nos hotéis e restaurantes, e só é possível almoçar com tranquilidade antes do meio-dia ou depois das 16 horas. A taxa de ocupação dos hotéis e pousadas é de 100%. Assim como nas mesas de debate, as vagas acabam cedo. Neste ano, as principais pousadas já estavam cheias em abril.

O medo, para quem frequenta a festa desde o início, é a confirmação do que disse o ídolo americano do beisebol, Yogi Berra, sobre seu restaurante preferido: “Ninguém mais vai lá. Está lotado demais!”. O compositor e escritor Chico Buarque, estrela da Flip no ano passado, armou uma operação de emergência para fugir da tietagem depois da palestra de que participou. Deixou até de autografar seus livros, uma das tradições da festa. Na primeira edição, em 2003, Chico foi também uma das atrações principais. Mas cantou na abertura, andou pelas ruas de pedra e até jogou uma partida de futebol, o que repetiu em 2004.

“A Flip não pode ficar maior, a cidade não aguenta”, afirma Flavio Moura, curador do evento há três edições. “Isso é um desafio. A gente nunca vai dizer que precisa ir menos gente, mas sim garantir que a experiência seja agradável a quem vai”, diz. A festa pode até perder em qualidade para os visitantes, mas é indiscutível o bem que ela fez à cidade nestes oito anos. Os benefícios vão além dos meramente econômicos. O arquiteto e urbanista Mauro Munhoz, diretor-presidente da Associação Casa Azul, que organiza a Flip, afirma que o importante é, durante o ano, neutralizar o impacto da multidão com políticas públicas, em parceria com a prefeitura. “A Casa Azul promoveu a criação de 31 bibliotecas nas escolas públicas e centros comunitários de Paraty”, afirma. “Ajudamos a capacitar professores de literatura, e a Câmara aprovou uma lei para que todas as crianças tenham uma hora de leitura diária nas escolas”, diz Munhoz.

A pergunta que dá título a esta reportagem – Cabe todo mundo? – se enquadra também na direção que o evento vai tomar nos próximos anos. Isso porque o Unibanco, patrocinador da Flip, fundiu-se em 2008 com o Itaú, e 2010 será a primeira vez que o Itaú Cultural, instituição ligada ao banco, fará parte da festa. O Itaú Cultural tem uma política voltada para o fomento da cultura genuinamente brasileira e investe na gratuidade de seus eventos. A Flip, além de cobrar pelos ingressos, consagrou-se por aproximar dos brasileiros estrelas internacionais da literatura.

O CURADOR

Flavio Moura organiza a festa pela terceira vez. “Nunca conseguimos agradar a todos", dizSerá que a Flip comporta visões tão distintas de promoção cultural? “São visões difere

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI159213-15220,00-CABE+TODO+MUNDO+NA+FLIP.html

Rafael Pereira

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