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Quinta-Feira , 23 de Novembro de 2017
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“A infância mudou muito”


envolverde.com.br


“A infância mudou muito”

por Fernando Vives, da Carta Capital



Em maio, Mauricio tornou-se o primeiro quadrinista a ser empossado pela Academia Paulista de Letras. O prêmio chega no momento em que o autor passa por um processo de adaptação de seus personagens ao mundo atual das HQs, com a versão adolescente da Turma da Mônica. “A infância mudou muito, está bem mais precoce. Então temos de sofisticar a comunicação junto a esse público”, afirma. A Turma da Mônica jovem, que já ultrapassou 30 edições, é sucesso de venda e tem uma novidade: Mônica e Cebolinha assumem um namoro, depois de um tão esperado beijo. “As pessoas pedem mais, mas vai parar por aí, porque a Mônica é minha filha”, diz, rindo. Mas adianta: “Vai seguir, claro, o que acontece naturalmente com os jovens, mas vai demorar”.

Nesta entrevista, por telefone, Mauricio de Sousa conta como viu as mudanças da infância e adolescência que aconteceram nas últimas décadas e como foi adaptando sua linguagem. Ele sugere também algumas formas de ler quadrinhos na escola e revela, com bom humor, uma de suas aspirações: “Calvin e Haroldo é a história que eu gostaria de ter criado”.

Carta Fundamental: O que mudou entre o leitor de Turma da Mônica há 40 anos e o de hoje?

Mauricio de Sousa: Bem, a criança está mais apressada em virar adolescente. Antigamente, atingia-se essa fase aos 14-15 anos. Hoje se é pré-adolescente com 8 anos e adolescente aos 10. Consequentemente, você tem de encarar que não podemos mais falar com garotos de 10 anos da maneira como falávamos. É como se fosse um pequeno adulto. Não dá mais para usar uma linguagem que remeta a castelinhos de fadas e princesinhas. Mostramos agora a realidade da vida numa formatação suavizada. E também sofisticaram-se as formas de comunicação, ela chega mais fácil. Então temos de sofisticar a informação e simplificar a comunicação.

CF: Qual foi o ponto da sua carreira em que você percebeu que tudo iria dar certo?

MS: Quando procurei a redação, eu o fiz para desenhar, mas não consegui. Havia vaga para reportagem policial da Folha, onde fiquei por cinco anos. Mas não esquecia os desenhos. Fiz amizade com os chefes do jornal e pedia a eles para me fornecerem todo o material de quadrinhos americanos, para estudá-los. Chegou um tempo em que eu achava que estava com informação suficiente para tentar alguma coisa. Fiz a minha série do Bidu e apresentei ao editor-chefe, que gostou. Virei só desenhista e passei a adaptar tudo o que eu estudava à realidade brasileira.

CF: Quais foram os artistas que inspiraram sua carreira?

MS: Foram muitos. Will Eisner foi meu -mestre na arte de ousar fazer quadrinhos sem a preocupação de respeitar uma lógica de criar sempre a mesma coisa. O personagem dele é sempre bem construído, mas as histórias viravam-no de cabeça para baixo. Havia histórias em que o personagem principal não aparecia. Eu recortava histórias do Eisner, era fanático. Depois tem outros: o Ferdinando (personagem criado por Al Capp-), que fazia uma sátira bem mordaz da sociedade americana por meio de um caipira, uma espécie de Chico Bento adulto. Outro era o quadrinista Tereré, que fazia a caricatura do Príncipe Valente. Havia também o Brucutu (do americano Vincent T. Hamlin), que me inspirou a criar o Piteco. Havia bom material gráfico na década de 1940 na Disney, embora esta fosse um pouco cor de rosa demais. E, posteriormente, houve Calvin e Haroldo (do americano Bill Waterson), que é a história em quadrinhos mais avançada do mundo. É a que eu gostaria de ter feito.

CF: Por quê?

MS: Sim, porque é moderno demais. Eu queria ter essa ideia, mas criaram antes (risos).

CF: Hoje temos o mangá dominando o mercado. Há quem o critique pela estética, mas há quem diga que é impossível ignorá-lo. Qual sua opinião a respeito?

MS: Quando alguma manifestação artística faz sucesso é porque há um nicho. A história em quadrinhos americana a partir dos anos 1970 começou a repetir fórmulas. Os mangás aproveitaram-se disso. Nosso desenho no Brasil é do lado americano. O mangá veio para estabelecer algumas

http://envolverde.com.br/educacao/entrevista-educacao/%e2%80%9ca-infancia-mudou-muito%e2%80%9d/

Fernando Vives, da Carta Capital

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