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Sexta-Feira , 22 de Setembro de 2017
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Isolamento: o desafio e o prazer de ensinar


envolverde.com.br

Isolamento: o desafio e o prazer de ensinar em comunidades tradicionais caiçaras

por Sarah Fernandes, do Aprendiz

Magro e baixo, com um olhar calmo e fala muito viva. Este é o professor Adriano Leite, um sujeito comum, que poderia ser confundido com qualquer outro educador primário. Isso se não fosse um detalhe: desde muito jovem, ele aceitou o desafio de deixar o conforto de sua casa para dar aulas em escolas isoladas, nas comunidades tradicionais caiçaras de Ilhabela (SP), município do litoral paulista, onde sempre viveu.


Aulas de Adriano incluem práticas de teatro.
É uma rotina que inclui enfrentar horas de barco no mar, viver sem energia elétrica, sem farmácia, sem mercado. A escolha corajosa não foi por acaso: “assim como meus alunos, eu sou de trás da ilha (como os moradores chamam as praias isoladas do município). Eu nasci no Saco do Sombrio. Todos me conhecem nas comunidades. ‘Lá vem o neto de Benedito de Lau, filho de dona Elvira e de seu Joaquim’”.

Apesar disso, a maior parte da sua infância foi vivida na área urbanizada do município. Por isso, foi impossível não perguntar: “qual sua motivação para ir para uma escola tão isolada?”. A resposta veio de pronto: “a limitação que as crianças têm lá”. E continuou: “na minha cabeça não tinha professor melhor que eu para ensinar a eles, porque sou de lá. Eu sei as dificuldades que eles têm. Vivem uma vida humilde, de artesanato, pesca, roça, peixe seco e produção de farinha”.

E são exatamente esses elementos que transformam as aulas de Adriano em algo tão inusitado. “Em tudo na aula eu uso a cultura caiçara. Se eu vou alfabetizar uma sala, eu monto uma história sobre o cerco (técnica de pesca). A palavras são os nomes dos peixes ou das ervas usadas nas rezas.”

O dia a dia de Adriano é diferente do dos professores convencionais por uma série de fatores. Para começar, ele mora em uma casa anexa à escola, cedida pela Prefeitura. Desde que começou a lecionar nas comunidades isoladas, com 19 anos, ele já passou por diversas. A primeira foi na Vila Caiçara na Praia do Bonete. Depois vieram Serraria, Castelhanos, Ilha de Búzios e Praia da Fome. Em todas permaneceu pelo menos três anos, intercalados com períodos na parte urbanizada de Ilhabela.


Procissão na Ilha de Búzios: aulas buscam valorizar cultura tradicional.
“Dentro da comunidade o professor tem que ser tudo. Ele é o psicólogo, o padre, o enfermeiro, o médico. Eu passei momentos de muito nervosismo. Não sabia o que fazer, por exemplo, com uma criança que uma cobra coral mordeu. Eu chamava ajuda pelo celular especial que tinha e, enquanto esperava, ia buscar erva, fazia remédio com alho e pinga para ir bloqueando o veneno.”

Encontra outros docentes só uma vez por mês, em uma reunião organizada pela Secretaria de Educação, que é responsável por buscar, de lancha, Adriano e os outros professores das comunidades. “O maior desafio foi ter que sair da cidade e me isolar. Você fica sem acesso a tudo: biblioteca, internet, cursos. Não tem como sair de lá para ir fazer uma pós-graduação e nem para trocar experiência. Tem que querer muito e ter consciência do que vai encontrar lá.”

O número de alunos na escola varia dependendo da comunidade em que Adriano está morando. Todos têm aulas juntos, independente da idade ou da série. “As salas são multisseriadas: tem cinco crianças para alfabetizar, mais cinco no quarto ano, mais três no terceiro. Eu pego um texto só para todo mundo e diferencio as séries nas atividades. Os alunos da quarta buscam os ditongos, os da segunda os plurais e sinônimos.”

Luta

Na maioria das comunidades, porém, a escola só vai até a quarta série do ensino fundamental. “A limitação de estudo atrás da Ilha sempre foi um problema. Os moradores sempre iam até a Secretaria de Educação e eu me metia junto. Na Praia da Fome, por exemplo, nem tinha escola, porque só tinha três crianças. Eu tive que mandar uma carta para o Ministério da Educação e consegui abrir a escola. Toda criança tem esse direito. Todas são seres humanos com sede de conhecimento.”

A luta vem dando resulta

http://envolverde.com.br/educacao/historia-educacao/isolamento-o-desafio-e-o-prazer-de-ensinar-em-comunidades-tradicionais-caicaras/

Publicado originalmente no Portal Aprendiz.

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