Universidades adotam política contra drogas |
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Publicado pelo jornal Folha de S.Paulo 24/09/2003 |
Uma "constituição" que estabelece princípios e orienta a USP, a Unicamp e a Unesp na implantação de ações práticas de prevenção e combate ao consumo de bebidas alcoólicas e drogas dentro de seus campi e no tratamento de funcionários e alunos usuários.
É essa a proposta da política sobre uso de álcool e drogas, apresentada hoje, na abertura do Dia de Alerta do Uso Excessivo de Álcool nas Universidades.
O projeto sugere, por exemplo, que seja incluída no currículo de graduação uma disciplina sobre prevenção ao uso indevido de drogas e que sejam adotadas (e devidamente fiscalizadas) medidas de restrição à venda e ao consumo de álcool --na USP, a proibição existe, mas não é cumprida.
Elaborado por pesquisadores das três universidades, o documento tem como principal objetivo universalizar a prevenção, envolvendo principalmente os não-usuários, que se consideram protegidos dos riscos das drogas e do álcool, mas estão mais próximos deles do que imaginam, afirma André Malbergier, do Grea (Grupo Interdisciplinar de Estudos do Álcool e Drogas da USP) e um dos coordenadores do projeto, financiado pela Fapesp.
As universidades, diz Malbergier, são ambientes que facilitam o acesso às drogas e seu consumo --que tradicionalmente atinge o pico entre jovens de 18 a 25 anos.
Por serem públicas, há dificuldades (inclusive legais) em estabelecer limites efetivos ao uso e à venda dessas substâncias, o tamanho dos campi dificulta a fiscalização, e é preciso superar uma cultura de contestação do convencionalismo e de liberdade, muitas vezes associada ao consumo de drogas, afirma Malbergier.
Os números refletem isso. Uma pesquisa feita na Unesp, em 98, mostrou que 43,5% dos alunos já haviam experimentado algum tipo de droga, excluindo o álcool e o tabaco --16,7% deles tiveram o primeiro contato com a substância na própria universidade.
Num levantamento realizado na Unicamp, em 2002, 81,4% dos alunos haviam consumido álcool, 18,9% maconha e 1,6% cocaína, no mês anterior à pesquisa.
Na USP, de 1996 a 2001, entre os alunos de graduação, aumentou o número de consumidores de maconha (de 14,9% para 16,9%), inalantes (4,1% para 6,5%) e anfetaminas (de 2,2% para 3,4%).
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u13740.shtml
Jornal Folha de S.Paulo
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