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Tesouros escondidos nos cortiços de São Paulo


Publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo 11/01/2004

Não adiantou faltar na escola para dormir até mais tarde.
Logo de manhã, a campainha acordou a estudante Karine dos Santos, de 18 anos. Ao olhar pela janela, ela não acreditou. Na porta de casa, estavam colegas e professores da escola. O colégio havia organizado um tour pelo bairro do Bexiga, que começou justamente onde Karine e mais cerca de 60 famílias vivem: a Vila Itororó, um dos cortiços da cidade que guardam verdadeiros tesouros históricos.
Não é o único. Em antigos palacetes, deteriorados pelo tempo, com falta de manutenção e ocupação desordenada, resistem colunas, mosaicos, vitrais e estátuas. Ou parte deles. Com algum esforço ainda dá, por exemplo, para ver o mosaico já quase apagado da varanda do casarão onde o jornalista Pedro de Oliveira Ribeiro Neto morou e realizou saraus literários, na esquina das Ruas Ribeiro da Silva e Barão de Piracicaba, em Campos Elísios.
Ou os frisos de gesso da sala de estar. Outras partes, porém, estão mais degradadas.
No salão principal, o teto de madeira está ruindo e o assoalho segue destino parecido. O portão de ferro mantém as formas, mas está bem enferrujado.
"Sobre esse pedestal, havia a estátua do deus Netuno, com tridente e tudo", acrescenta Alexandre de Carvalho, de 32 anos, que vive no imóvel com outras 25 famílias. "E ali, no meio do jardim, era o chafariz." Do primeiro, restou a base de pedra que serve de banco a crianças; do segundo, o tubo do jato d'água, em meio a restos de fogueira e muitas folhas.
"Dono" da biblioteca da casa, Carvalho chegou a ver os lustres e os bustos das duas filhas do barão de Piracicaba, que já não existem, além do banheiro, cuja banheira hoje virou cama. "Era tudo patrimônio de alta riqueza."
Restos históricos - Perto dali, na Rua Barão de Piracicaba, 447, outro antigo casarão perdeu seu jardim. No lugar, foram construídos quartos e um mercadinho. Segundo a moradora Clarice Vieira, de 53 anos, o gradil de ferro da escada e a fachada, no entanto, ainda são "históricos".
Já na casa tombada na Rua do Carmo, 198, os "tesouros" se concentram na entrada. Além da pesada porta de madeira, restam parte do piso original e uma ou outra flor de lis estilizada nas paredes. "Aqui já foi moradia de padre e freira e ainda tem uns santinhos na fachada", garante o pintor Miraldo Barbosa, de 33 anos, que vive ali há 18.
Construídos nos anos 1910, os dois andares da casa abrigam hoje parte das 32 famílias que vivem no terreno. As outras construíram barracos e casinhas nos fundos, depois que, em 1989, um incêndio destruiu parte do casarão histórico.

http://txt.estado.com.br/editorias/2004/01/11/cid021.html

O Estado de São Paulo

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