Evento discutirá mídia para a infância |
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Publicado pelo site da Rits 27/02/2004 |
Violência, excesso de sexualidade, erotização da infância, estímulo exagerado ao consumo, manifestações de preconceito contra determinados grupos, homogeneização dos padrões estéticos. Tudo isso e uma série de outras deficiências identificadas diariamente se aliam para compor um quadro midiático vazio de informação, educação e diversidade, que alarma pais, educadores e diversos profissionais e especialistas preocupados com o conteúdo que crianças e adolescentes vêm absorvendo através dos meios de comunicação.
A preocupação vem crescendo de forma constante - e com motivos. Cada vez mais meninos e meninas são bombardeados por todos os lados com informações e estímulos, nestes tempos em que se consolida uma sociedade da informação. A televisão é, de longe, o principal meio de comunicação privilegiado por jovens e crianças, em uma realidade em que a leitura é preterida frente às mídias digitais. Estima-se que uma criança passe em média três a quatro horas por dia em frente à TV.
A Internet, explorada com desenvoltura e sem mistérios por aqueles que nasceram em tempos em que ela já era realidade, representa um desafio a mais. Seu controle é quase impossível; a noção de que conteúdos serão apresentados, imprevisível. As leis ainda não contemplam devidamente o mundo dos bytes, que cresce exponencialmente e atrai na mesma velocidade. Para acompanhar a velocidade de transformações e mudanças, meios de comunicação reproduzem o frenesi em programas, vinhetas, peças publicitárias e em todo o padrão estético que se consolida - se é que há tempo para algum padrão se consolidar em uma realidade em transformação constante.
Essas preocupações estarão presentes na 4ª Cúpula Mundial sobre Mídia para Crianças e Adolescentes, que acontece no Rio de Janeiro, de 19 a 23 de abril. Realizado pela primeira vez na América Latina, o evento vai reunir especialistas do mundo todo, diversos deles provenientes de organizações não-governamentais, para debater e propor alternativas de qualidade que possam ser oferecidas a meninos e meninas, sem que se perca, no entanto, o caráter de entretenimento.
Beth Carmona, presidente da ONG Midiativa – que, junto com a Multirio, do governo municipal do Rio de Janeiro, é uma das realizadoras da Cúpula – acha que os pais podem e devem contribuir para o controle do que seus filhos assistem. "Porém o problema não é só de pais. É de toda a sociedade (organizações, produtores, donos de empresas de mídia), que deve estar atenta e discutir a questão".
Solange Jobim e Souza, coordenadora do Comitê de Pesquisadores da IV Cúpula de Mídia para Crianças e Adolescentes e professora da PUC-Rio e da UERJ, tem opinião parecida. Para ela, "a questão da qualidade da mídia é um tema polêmico. O conceito de qualidade envolve definição de valores, os quais são utilizados, muitas vezes, de forma contraditória e com intenções ambíguas, onde predominam, via de regra, interesses de mercado da indústria do entretenimento", diz Solange. "Portanto a questão da definição da qualidade da mídia para crianças e adolescentes é uma questão política e, como tal, deve envolver diferentes setores da sociedade em uma discussão permanente, com o objetivo de se definirem padrões éticos e estéticos que contemplem a diversidade cultural e, especialmente, a responsabilidade social sobre aquilo que é oferecido ao público", completa.
Na mesma linha de defesa do interesse coletivo na questão, Severino Francisco, editor de Análise de Mídia da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), lembra que mídia de qualidade para crianças e adolescentes é um direito garantido em tratados internacionais. "É assegurado na Convenção sobre os Direitos da Criança, aprovada em 1989, na Assembléia Geral das Nações Unidas, e ratificada por mais de 150 países. Todos os outros direitos estão conectados a este direito à informação de qualidade", diz.
Veja a íntegra em:
http://arruda.rits.org.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.apresentacao.ServletDeSecao?
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