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A maior vitória dos inimigos da biotecnologia


Publicado no Site do Jornal O Estado de São Paulo de 19/04/07

A maior vitória dos inimigos da biotecnologia

Fernando Reinach*

Faz 20 anos que uma guerra sangrenta vem sendo travada entre ONGs que se opõem à biotecnologia e os cientistas que a desenvolveram.

O objetivo é conquistar corações e mentes da população e dos governos. Os campos de batalha são a mídia e os órgãos que regulam a biotecnologia.

Nessa guerra já ocorreram dezenas de batalhas e cada lado já comemorou vitórias e amargou derrotas. Talvez a maior vitória dos defensores da biotecnologia seja que seus inimigos abandonaram a oposição aos produtos biotecnológicos relacionados à saúde humana. Hoje não se observa ONGs protestando contra o tratamento de diabéticos com insulina transgênica ou ao fato de todas as crianças receberem vacinas geneticamente modificadas.

Na agricultura, faz 20 anos que vegetais transgênicos ocupam áreas crescentes. No Brasil, a soja e o algodão transgênicos foram aprovados e vêm sendo plantados legalmente.

Em março deste ano, o presidente Lula sancionou uma lei que facilita a aprovação de produtos transgênicos. No dia seguinte à aprovação, a reunião da comissão responsável pela avaliação da segurança dos transgênicos foi invadida por membros de ONGs, o que impediu a avaliação de novos pedidos de liberação.

Muitas pessoas enxergaram nesse ato uma grande vitória dos opositores da biotecnologia. Elas têm memória curta. A maior vitória das ONGs que se opõem à biotecnologia ocorreu faz cinco anos. Vale a pena recordar a batalha perdida pelos cientistas.

Em 2002, os governos de quatro países africanos - Zâmbia, Zimbábue, Moçambique e Malavi -, apesar da fome reinante em seus territórios, se recusaram a receber o milho doado pelo programa de combate à fome da ONU. O motivo foi que ONGs européias convenceram os governantes daqueles países que o milho oferecido, por ser transgênico, poderia afetar a saúde da população. A variedade de milho em questão tinha sido aprovada nos EUA em 1995 e vinha sendo consumida pela população norte-americana desde 1996, já tendo sido enviada aos países africanos nos seis anos anteriores. Para reforçar o argumento, as ONGs afirmaram que caso sementes desse milho fossem plantadas em países africanos, isso os impediria de exportar alimentos à Europa.

A vitória dos opositores da biotecnologia foi magnífica: a Zâmbia proibiu totalmente o consumo do milho no país e os outros três países só aceitaram doações de milho já moído.

Em janeiro de 2003, seis mil pessoas famintas subjugaram o exército e invadiram os estoques de milho que já haviam chegado à Zâmbia e que seriam repatriados aos EUA. Não se sabe quantas mortes foram causadas por essa batalha de desinformação, mas seguramente elas foram amenizadas pelo fato de a ONU ter conseguido comprar um estoque de milho não transgênico e ter restabelecido as doações.

Nos anos seguintes, organizações científicas elaboraram relatórios que ajudaram a convencer os países africanos a voltar a aceitar as doações da ONU. Mas ainda hoje é possível encontrar ONGs que afirmam que o milho transgênico é tão perigoso que até países africanos preferem passar fome a consumir produtos biotecnológicos. A guerra continua.

Essa guerra é contada no livro editado por J. Entine, Let them eat precaution: how politics is undermining the genetic revolution in agriculture, AEI Press, Washington, 2006.

*fernando@reinach.com
Biólogo

http://www.estado.com.br/editorias/2007/04/19/ger-1.93.7.20070419.10.1.xml

Jornal O Estado de São Paulo

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