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Quarta-Feira , 17 de Dezembro de 2014
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Exclusões marcaram a trajetória do negro no Brasil


Publicado no Site da USP em 18/07/07

Exclusões marcaram a trajetória do negro após a libertação

Antonio Carlos Quinto
acquinto@usp.br


No final do século 19, após a abolição da escravatura no Brasil, o negro foi alvo da exclusão econômica, social e geográfica na cidade de São Paulo imposta pela classe dominante da época. “A esta exclusão, que de fato ocorreu, seguiu-se um processo de estigmatização por parte da população de que o ‘negro não gostava de trabalhar’. Acredito que a partir daí se deu a construção do racismo em nosso País”, diz o historiador Ramatis Jacino.

Tendo como base principal os primeiros recenseamentos nacionais realizados no Brasil, em 1872 e em 1890, Jacino analisou a situação do trabalho do negro liberto após a abolição na cidade paulistana. Os levantamentos feitos pelo pesquisador resultaram na dissertação O trabalho do negro livre na cidade de São Paulo: 1872 – 1890, defendida em março deste ano no Departamento de História Econômica da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

O historiador conta que mesmo antes da abolição da escravatura, em 1888, muitos negros já estavam libertos. Em alguns casos por cartas de alforria ou quando os próprios fazendeiros, seus donos, os libertavam. “Houve até mesmo incentivos fiscais de parte do governo para que os senhores libertassem seus escravos”, ressalta o historiador. Segundo ele, o final da escravidão no Brasil se deu principalmente por três motivos: a luta dos próprios negros; a pressão do império britânico, que já via a ascensão do capitalismo que necessitaria de mais consumidores; e a lei Euzebio de Queiroz, que em 1850 proibiu o tráfico de escravos. “Isso tornou a escravidão cara”, lembra Jacino.

Branqueamento
Já naquela época, segundo Jacino, a cidade de São Paulo comportava algumas pequenas indústrias, como a de artesanato, matadouros e de couro. “Contudo, o negro recém liberto não era considerado pela classe dominante como apto a exercer qualquer trabalho que não fosse o escravo”, descreve. Apesar disso, muitos dos ex-escravos atuavam nesses setores.

Mesmo assim, a elite da época, como ele explica, considerava que o Brasil, por ter um grande número de negros e índios em sua população ainda era um país atrasado. “Foi daí que surgiu entre os dominantes a idéia de que o Brasil deveria passar por um processo de ‘branqueamento’ para tornar-se uma nação adiantada e comparada a países europeus”, conta.

O historiador descreve que a partir disso foi incentivado o processo de imigração de europeus para o Brasil. “Enquanto os imigrantes foram favorecidos por leis que lhes deram condições de adquirir terras, os negros foram excluídos não somente do campo, como também do trabalho urbano”, conta Jacino. “A intenção era que os brancos estrangeiros formassem a população brasileira”.

Negro de ganho e aluguel
Outro fator verificado por Jacino em seu estudo foram as modalidades de trabalho dos negros, mesmo antes do processo de libertação já na metade do século 19: os ‘negros de ganho’ e os ‘negros de aluguel’. Os ‘negros de ganho’ eram aqueles que trabalhavam e que repassavam todos os seus ganhos a seus donos. Já os ‘negros de aluguel’ eram os escravos cujos seus senhores alugavam seus serviços, inclusive para o poder público da época. “Alguns ‘negros de aluguel’ tiveram a possibilidade de juntar dinheiro e comprar sua própria alforria”, diz Jacino.

Boa parte dos negros recém libertados residiam nas áreas centrais da cidade de São Paulo. “Com a valorização destes locais e sua ocupação por comércios, indústrias, órgãos públicos, bancos e habitações de setores da classe dominante, os negros acabaram sendo empurrados para a periferia”, descreve o historiador.

Na opinião do pesquisador, fatos como esses ainda refletem nos dias de hoje. “Dados recentes do IBGE apontam as diferenças salariais entre homens brancos e negros e também entre mulheres, brancas e negras. Além do mais, é comum a concentração de populações negras nas periferias das grandes cidades”, afirma.

Mais informações: (0XX11) 3243-1369, com Ramatis Jacino; e-mail: rama@usp.

http://www.usp.br/agen/UOLnoticia.php?nome=noticia&codntc=16975

Agência USP de Notícias

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