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Brasil, 11.º lugar em catástrofes


Publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo 28/10/2004

(Jamil Chade)
Os desastres naturais afetaram 12,7 milhões de brasileiros nos últimos dez anos, o que nos coloca hoje em 11.º no ranking de vítimas de catástrofes. Os dados serão publicados hoje pela Cruz Vermelha, que alerta que o número de pessoas afetadas no Brasil entre 1994 e 2003 foi duas vezes maior do que na década anterior (1984-1993). Apenas em 2003, 810 mil brasileiros foram vítimas de catástrofes. No total, a entidade aponta que terremotos, furações, inundações, secas e outros desastres afetaram 255 milhões de pessoas em 2003 no mundo e que geraram prejuízos de US$ 56 bilhões.
Para Jonathan Walter, editor do relatório, o Brasil é um "espelho" do que ocorre no cenário internacional. Segundo ele, vem aumentando o número de pessoas vítimas de desastres naturais, em parte por causa da vulnerabilidade das camadas mais pobres da população. Ao mesmo tempo, verifica-se um aumento no número absoluto de desastres naturais no mundo. Segundo Walter, a incidência de catástrofes triplicou desde os anos 70.
Como resultado, entre 1994 e 2003, os 5,6 mil desastres registrados em todo o mundo afetaram 2,5 bilhões de pessoas, gerando prejuízos de US$ 691 bilhões. Os números se contrastam com os registrados entre 1984 e 1993, quando "apenas" 1,6 bilhão de pessoas foram afetadas. Segundo o relatório, quase metade das vítimas sofreu com a seca e a fome. Já as inundações atingiram 16% do total de pessoas afetadas, mesma proporção registrada no caso de terremotos. As tempestades ainda foram responsáveis por 10% das vítimas, enquanto 8% das pessoas afetadas por catástrofes foram vítimas de temperaturas extremas.
No Brasil, porém, a proporção de cada um dos fenômenos naturais não acompanha a média mundial diante da situação geográfica do País. A seca afetou 11,5 milhões de brasileiros entre 1994 e 2003. Já as inundações atingiram 510 mil pessoas, enquanto deslizamentos de terra afetaram 153 mil brasileiros. Queimadas também foram responsáveis por 12 mil vítimas, enquanto 6 mil brasileiros sofreram com as tempestades. Os dados sobre o Brasil ainda incluem cerca de 500 pessoas que teriam sofrido com epidemias, como malária e febre amarela.
O número de pessoas afetadas coloca o Brasil como o 11.º país que mais registrou vítimas de catástrofes naturais no mundo nos últimos dez anos. O País foi superado por China, Índia, Irã, Etiópia, Quênia e Vietnã. Entre 1984 e 1993, o número de brasileiros que foram afetados chegou a 6,09 milhões.
PESQUISA
Os dados publicados no relatório da Cruz Vermelha foram coletados por pesquisadores da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Guha Sapir, que lidera a pesquisa, explicou que a coleta das informações no Brasil ocorreu em colaboração com organizações não-governamentais, com a Organização Pan-Americana de Saúde e até com seguradoras. Ela reconhece, porém, que a maior dificuldade não é obter dados sobre pessoas afetadas, mas sobre as mortes causadas pelos desastres naturais. "Só contabilizamos as mortes ocorridas imediatamente ao desastre. Mas temos consciência de que muitas mortes ocorrem semanas depois", afirma Sapir.
Um dos exemplos é o número de pessoas mortas por causa da seca ou da fome. Pelos dados da pesquisa, 406 pessoas morreram no Brasil em 2003 por desastres naturais, mas especialistas acreditam que apenas a fome matou muito mais que isso. Não por acaso, os pesquisadores reconhecem que o número de mortes no Brasil nos últimos dez anos por desastres naturais, que soma 2,3 mil pessoas, é subestimado. Nos últimos dez anos, o relatório aponta a morte de 673 mil pessoas no mundo vítimas de desastres. Em 2003, os números chegaram a 76,8 mil, índice três vezes maior que em 2002.
O que a Cruz Vermelha garante é que, apesar da polêmica dos números, a realidade é que um mesmo desastre gera conseqüências muito diferentes dependendo do nível econômico dos países. A estimativa é de que, para cada desastre registrado, cerca de 51 pessoas morrem em um país rico. Nos países pobres, o mesmo desastre gera a morte de 589 pessoas.


O Estado de S.Paulo

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