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Sábado , 25 de Outubro de 2014
>> Educação Continuada
   
 
Tendências históricas do treinamento em educação

José Cerchi Fusari


A partir da concepção de que as capacitações são um serviço essencial, o professor José Fusari analisa como as diferentes concepções de escola e do processo ensino-aprendizagem influíram nos treinamentos de educadores.
Fusari identifica cinco períodos ao longo da história educacional brasileira: a Tendência Tradicional - predominante até 1930; o Movimento Escolanovista - de 30 até a década de 60; a Pedagogia Tecnicista - que vigorou durante os anos 70; o Período Crítico-Reprodutivista no final da década de 70 e, finalmente, a Tendência Crítica surgida a partir de 1980.

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TENDÊNCIA TRADICIONAL
"Esta forma de trabalhar acabou por reforçar nos educadores ainda mais a dicotomia entre a teoria e a prática e, mais do que isto, por valorizar a prática em detrimento da teoria. De certa forma, a teoria foi e tem sido vista como um mal necessário."

"A grande síntese avaliativa fica na própria fala dos educadores, após o término dos treinamentos e volta à rotina da escola: "o curso foi muito bom, mas sabe, né, na prática a coisa é muito diferente e pouco se consegue aplicar daquilo que se aprendeu". Ou também, "a teoria é muito bonita, mas na prática a coisa é bem diferente."

MOVIMENTO ESCOLANOVISTA
"Na década de 60, especificamente, é possível identificar nos treinamentos de educadores uma ênfase acentuada nas questões de métodos e técnicas, nas relações interpessoais e nas dinâmicas de grupo"

"A partir do golpe militar de 1964, diante da impossibilidade de avançar rumo a propostas progressistas de educação, o movimento escolanovista encontrou terreno propício para o seu desenvolvimento." (...) Entram na moda a inovação e a modernização dos meios, passando para segundo plano os próprios conteúdos do ensino."

"Em suma, a influência do "escolanovismo" nos treinamentos, principalmente o que chegou às escolas públicas, acabou reforçando muito a noção de que atividades, métodos e técnicas resolveriam a improdutividade da escola, deixando mesmo o conteúdo - aprendizagem da cultura universal - em segundo plano. As mudanças desejadas nos treinamentos acabaram manifestando-se assim: uma prática mais para o tradicional, acompanhada por um discurso novo, onde a "liberdade" da escola nova triunfa em relação ao "autoritarismo" da escola tradicional."

PEDAGOGIA TECNICISTA
"A escola deveria ser produtiva, racional e organizada e formar indivíduos capazes de se engajar rápida e eficientemente no mercado de trabalho. (...) Para tanto, à imagem da empresa, a escola deveria apresentar uma produtividade eficiente e eficaz."

"É claro que os treinamentos de educadores nos anos 70 refletiram, e muito, esta tendência que valorizava fundamentalmente os meios, as tecnologias e os procedimentos de ensino - apresentados sempre como "neutros", "eficientes" e "eficazes". E isto teve conseqüências negativas na educação escolar brasileira que perduram até o presente momento."

PERÍODO CRÍTICO-REPRODUTIVISTA
"Em suma, treinamentos na "fase da denúncia" (78 a 82, aproximadamente) foram utilizados como meios para difundir a denúncia do caráter perverso da escola capitalista, onde a escola da maioria reduz-se totalmente à inculcação da ideologia dominante, enquanto as elites se apropriam do saber universal nas escolas particulares de boa qualidade, reproduzindo, assim, as contradições inerentes e necessárias ao capitalismo. É evidente que houve um saldo positivo, na medida em que ocorreu, de certa forma, um avanço da consciência ingênua dos educadores para uma concepção mais crítica da educação escolar; e o mais positivo, e que a história tem comprovado, foi a superação deste pessimismo crítico imobilista em relação ao desenvolvimento da escola, como um espaço contraditório, onde se pode e se deve atuar de forma competente e comprometida politicamente, com os interesses das maiorias, dando origem ao que pode ser denominado de 'realismo crítico'. "

TENDÊNCIA CRÍTICA
"O educador, ao propiciar a relação do educando com os conteúdos do ensino, deverá fazê-lo de forma dinâmica e sempre que possível relacionar a experiência do aluno com os conteúdos trabalhados, tentando, sistematicamente, evidenciar a importância de uma sólida formação escolar como instrumento para a sua prática cotidiana. Desta forma, a atuação do educador deverá ser coerente, articulada e intencional, de forma a propiciar a crítica ao social, bem como uma educação escolar viva, na vida social concreta."

"Daí a necessidade fundamental do educador conhecer muito bem os conteúdos que ensina, sabê-los criticamente em relação ao social concreto e saber transformá-los em algo que produza mudanças no indivíduo, no próprio processo de aquisição desse saber."

Publicação: Série Idéias n. 3, São Paulo: FDE, 1992.
Páginas: 13-27

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 Pedagogia Tecnicista

 Período Crítico-Reprodutivista

 Tendência Crítica

 Tendência Tradicional