> Sistema Documentação
> Memorial da Educação
> Temas Educacionais
> Temas Pedagógicos
> Recursos de Ensino
> Notícias por Temas
> Agenda
> Café Cultural
> Publicações Online
> Concursos & Prêmios
> Diário Oficial
> Fundação Mario Covas
Boa tarde
Sábado , 27 de Maio de 2017
 
>> O Professor Escreve Sua História

Histórias de um cotidiano rico de experiências humanas. São estas histórias, escritas por professores da rede estadual, que estão aqui reunidas, tiradas da publicação "O professor escreve sua história" (Abrevlivros/FDE/Unicef-1997).

Um total de 2.637 professores, em escolas de mais da metade dos 600 municípios paulistas, participou do concurso que selecionou 50 histórias em 1997. Ora engraçadas, ora tristes, reflexivas, ou cheias de perplexidade, elas contam pedaços da história da educação no Estado de São Paulo, no fim do século XX.

Emocione-se nesta viagem.

   Histórias


Letra A

A chamada - Prof ª. Edna Mara Araujo Gonçalves

"O professor duvidou de si mesmo. Pensou em consultar o horário, mas lembrou-se de que não costumava trazê-lo consigo. Decidiu estranhar aquela balbúrdia (..) e bradou em tom de alto-falante de estádio: - Até hoje vocês não sabem do horário?"

Aos discípulos de Sócrates - Prof. Carlos Michaelis Junior
"Oh, discípulos de Sócrates. Mostrem que de dentro desta força criativa brota a razão que pode transformar o mundo, pois o mundo é belo e puro. Imundo é a negação do mundo e dos homens da terra!"
Aula de Português - Prof . Nelson Viana dos Santos
"Aquele frio aço envelhecido que guardava objetos conhecidos: algumas gramáticas marcadas pelo uso, giz, apagador, os diários do ano... Involuntariamente lembrou-se do poema de Drummond. Quisera ter aquele aço na alma para não sofrer como vinha sofrendo nos últimos dias."
Azul real lavável - Prof ª. Ana Maria Stuginski de B. Camargo
"O meu céu seria azul real lavável. Dois adjetivos para o céu. E, na certa, a professora iria gostar. Ela gostava sempre que escrevêssemos com aquela cor. Dizia que o azul daquela tinta era o nosso céu."


Letra B
Brasa Sob as Cinzas - Prof . Manoel Martins da Silva
"As mãos que trabalham no corte da cana-de-açúcar e na colheita da laranja durante o dia podem, à noite, despertar a consciência, monstros bispos em lantejoulas coloridas ou embarcações em palitos de fósforo."


Letra C
Carta perdida - Prof ª. Valéria Bianchin Martin
"Ao terminar de ler, me arrependi pela indiferença a essa linda declaração de carinho. Muitas vezes, o corre-corre do cotidiano nos impede de sermos mais humanos, de valorizar gestos que nos fazem perceber que amamos e somos amados. Gestos que dão mais cor a nossas vidas."
Cleberson - Prof. José Antonio Breviglieri
"...é porque saber ou não saber uma simples operação matemática não alterava em nada suas vidas. O que dizer de Camões, então? O que significaria para eles a tragédia do gigante castigado por Zeus apenas porque se apaixonara por Tétis?"


Letra D
Desapontamento Periférico - Prof ª. Hurda Irene Perciani Latorre
"Mas, a inspetora de alunos entrou... Seu grito desaprovador ecoou estridente ao notar cascas e sementes atiradas ao chão. A criança assustou-se; porém, estava muito feliz e, indiferente, pôs-se a cantarolar. De repente, um estalar de mão em seu pequenino rosto a fez chorar sentida."
Deusimar - Prof ª. Claudete Campos Moreira Lunardi
"Foi num dia desses que apareceu a Deusimar, assim, do nada. Bonita era porque era criança e não existe filhote feio. Digamos assim: Ninguém nunca se lembraria dela para um comercial da Parmalat..."
Diário de Classe - Prof ª . Erika Alice Furtwaengler
"Número 2. Carlos! - Presente.(Como será esse?) Número 3. Daniel! - Presente.(Aluno novo, olhos espertos, deve ser bom.) Número 5. Domício! Domício? -...(Não veio. Já faltando?)...""
Doce Engano - Prof ª . Floripes Soares dos Santos
"Foi assim que reconheci esses olhos azuis. Seu pai, um pedreiro, fizera parte dessa classe de Mobral. A minha primeira turma. Quantas lembranças me vêm à mente. Que saudade, seu Antônio, daquele tempo. Quem diria, eu conheceria seu filho. E que peça nos prega o destino."


Letra E
Encontro - Prof ª. Lúcia Regina Ibanes Insaurralde
"Rios rutilantes são rotas ... (?) Não! Não! Não! O exercício era de poesia. Poesia compulsória aplicando figuras de linguagem: 'Aplique, num verso, aliteração e metáfora.' Exercício para entregar! Para ponto."
Escola Fazenda Brasil - Prof . Claudio A. C. Errerias
"O sor diz que eu faço parte da humanidade, e que a humanidade faiz parte de eu, diz tomém que a humanidade é boa mais tomém é ruim, e que ela é quem faiz o conhecimento..."


Letra F
Fatos e Sonhos - Prof ª . Edina Ap. de Freitas Oliveira
"A menina chora ainda mais: seus pais estavam se separando e a mãe não queria deixá-la ver o pai. E agora, professora? O que dizer? Você pensa que lecionar é só ensinar gramática e interpretação de textos?"
Força comunitária - Prof ª . Denise Falci
"Até que, por uma dessas coincidências providenciais, dois jovens idealistas se uniram com toda a força de trabalho: o novo prefeito e o recém-empossado diretor. Começaram por formar um Conselho Comunitário."


Letra G
Gasta Sabedoria - Prof ª. Regina Maria Murador
"Trim-trim-triiimmm!!! É dia de "capacitação" na escola. Mas aqueles meninos não aprendem. E a entrevista de ontem? Onde será que aquele doutor estudou? - Precisamos aproveitar o tempo. Vamos primeiro fazer a leitura destes documentos e depois responder a este questionário. Reflitam!"


Letra L
Lé Com Lé, Cré Com Cré - Prof ª. Maria Cristina de Campos
"Ao todo eram sete: três rapazes jovens, duas mulheres já maduras e dois senhores de meia-idade. Como voluntária no programa de alfabetização, fui designada para lecionar na zona rural e tive assim um grande começo naquele universo de verdades muito concretas..."
Lição de Simplicidade - Prof ª. Maria Joaquina de C. V. Bigarelli
"Santinha, professora leiga que dava aulas havia muito tempo, (..) achegou-se e disse com toda a sua simplicidade que dar aulas não era aquele "perrengue todo não": bastava descer até o nível do aluno e ir, junto com ele, subindo devagarinho."
Louvor a Heróis-meninos - Prof ª. Maria Leane Aravechia
"No quadro-negro, aguardava-nos sereno "O cavalinho branco", de Cecília Meireles. Pequenos respingos descoraram a forma de algumas palavras, mas não lhes feriram o encanto e a infinitude. Inseridas em versos delicados, elas acalmavam nossas almas e nos convidavam a aprender e ensinar."


Letra N
Normalidade - Prof ª. Ana Lúcia Pinedo dos Santos
"Tudo para aqueles típicos espetáculos de Normanda. Sempre que convidada a responder ao que lhe era mostrado à lousa, criava coragem no instante de sua maior dúvida - tudo talvez girasse na incógnita de seu ser."
Nossa Língua: Materna ou Madrasta? - Prof ª. Vania Leite Soares
"A professora me olhou, sorriu e disse que aquela era a maneira correta e que eu deveria ensinar ao pessoal de casa, assim eu praticava a norma culta. "Norma culta", pensei... Bom, deixo assim; ouço essa tal de norma aqui, e falo o meu português lá fora."


Letra O
O Episódio da Bolsa - Prof ª. Silvana Vairoletti
"Eu ainda não tinha em mãos o meu diploma de professora quando entrei naquela sala de aula, e deparei com um grande desafio: não apenas ensinar, mas enfrentar um grupo de alunos numa escola de periferia, com olhos assustados, querendo assustar."
O índio - Prof. Edson Rodrigues dos Passos
"Era um índio mesmo. O desespero tomou a alma da pobre mulher; andava de um lado para o outro, olhava a ficha do novo aluno silvícola, ia até os professores, chamava dois ou três, contava-lhes, voltava à sala, (..) até que teve uma idéia: pesquisaria na biblioteca."
Onde Está João? - Prof ª. Vania Aparecida Piva
"Converso com os colegas sobre como agir, como trazer João de volta. Ninguém parece saber a resposta. Peço trabalhos sobre o tema das drogas. Converso com João sempre que o vejo. De repente, entro em minha sala de aula, meu olhar corre apressado, mas não o encontra. Onde está João?"


Letra P
Paixão - Prof. César Sátiro dos Santos
"Só agora, passados tantos anos, posso avaliar a intensidade da paixão que vivi. Era um professor experiente e, muito embora pressentisse a possibilidade do fato, não pude prever nem dar-me conta de que acabara de começar."
Passagens do Professor João Câncio - Prof . José de Jesus Cordeiro Andrade
"Educador não pode surgir meio nu, meio vestido em colégio. "Atenção, sou o professor João..." O grupo estaca. "Rá! Esse não é do pedaço", retruca a mesmíssima mocinha morena e líder. "Pega ele!" Desesperado, o homem desfere murradas. Eles são pequenos, ele abre brecha. Tropel."
Passível - Prof ª. Luciana Velo do Amaral
"A questão emergiu quase em súplica. "Mas, e eu?" Não houve resposta, sequer um olhar. Estava acostumada a perder. Uma menina de seis anos acostumada à perda. Procurou, nada. Só. Seguiria resignada rumo à escola."
Percepção - Prof ª. Solange A. Cavalcante dos Santos
"Era de fazer Roman Polansky se emocionar, e tudo o que queriam era que eu os dirigisse e lhes explicasse o que era o busto de Minerva do poema. Fiquei envergonhada com minha insensibilidade. Deus, eu era um monstro."
Poder de Transformação - Prof ª. Osni Lourenço Cruz
"Refleti sobre o PODER DE TRANSFORMAÇÃO que o professor possui. Não metal em ouro, como queriam os alquimistas, mas no poder de transformar um ser vazio em um homem pleno de conhecimentos, capaz de entender, criticar e mudar a sua realidade."
Poesia Prá Lá de Moderna - Prof . Patryck Araújo Carvalho
"Vou fazer uma poesia pra lá de moderna, onde haja escola rimando com cidadania, professor rimando com respeito, aluno rimando com feliz."
Professora, Adeus - Prof ª . Demarice S. de Paula Vargas
"Olhos inchados, vermelhos, se despedem de nossa guerreira professora. Enquanto se despedem, penso: 'Será que o coração da amiga não enfartou diante de tantas decepções?'."
Provas e Devaneios - Prof ª. Marli Teixeira Conte
"...o sinal vai levar-me desta para a outra realidade: a minha vida, meus temores, meus anseios. (..) Nem sei definir se é bom ou não hoje ser dia de provas, em todas as salas. Dia de pouco falar, pouco explicar, dia de ter tempo para encontrar-me comigo mesma. Prova também para mim..."


Letra Q
"Quando se vê sem enxergar" - Prof ª. Luzia Aparecida Barion Ferrarezzi
"A mulher, simplória, disse ipsis litteris: "Fessora, faiz o Tião vê as coisa do mundo". Fácil, se não fosse o caipirinha cego por nascença. Sem recursos pedagógicos, desfiz-me em instintos e invulnerabilidade para vencer tal provocação."
Querida Marô: - Prof ª. Rosalina Antunes Fujarra
"Depois que o tempo passa, as coisas que pareciam tão tristes, quase trágicas se transformam e é muito divertido recordar-se do aluno que criava uma rã e eram inseparáveis. O nome da arruaceira e catastrófica gia do nosso rapaz era Cleópatra, você ainda se lembrava desse detalhe?


Letra R
Remember Santoro - Prof . José Carlos Mendes Brandão
"Quem se lembra do professor Santoro? Eu tenho vergonha de me lembrar tão pouco do Santoro.(..) Não posso fazer nada e só posso sentir vergonha. Um grande pesar e um nó na garganta, um sentimento de incapacidade de ação que estrangula."
Reminiscências - Prof ª. Maria Ancila Jacon
"A cada erro, o escárnio. O prazer que eu via nos olhos dela assustava-me. Mudou-me para a fileira B. Até hoje ouço o som das risadas das crianças enquanto recolhia meus pertences. Ela incentivava nos alunos o desprezo pelos que erravam."


Letra S
Sem título - Prof. Antonio Carlos da Silva
"Vi-me a acenar lá do alto, gestos largos, solenes de doer. Gritava obrigado, obrigado. Pelotão desalinhado, balizas num sem jeito só, um cheiro de improviso em tudo, mas era a homenagem que podiam prestar ao professor."
Sem título - Prof. Antonio Fernando Torres
"- Sô Chaim, o senhor veio hoje?... Caramba, outra vez! Todo dia a mesma pergunta (..). É a loirinha Zilda, liderando mais uns dez da quinta A, ali no ponto conferindo se a jardineira traz o sô Chaim, quem sabe uma folga no horário, sair mais cedo, ou só por nada."
Sem título - Prof . Edison Pereira
"- Ah! professor, por que você veio?
Do portão da escola até a sala de aula, quando finalmente se conformam com nossa presença, esta é a frase com a qual eles nos recebem."
Sem título - Prof ª. Leila Marisa de Souza Lima Silva
"Há momentos que valem uma eternidade e eu estava vivendo o meu instante mágico de paixão, de amor, de desejos, de silêncio. Para quem contar? Quem iria entender? Uma professora e seu aluno apaixonado?"
Sem título - Prof ª. Lígia Marília Fornari
"Choque, espanto, indignação. Isso foi há quase vinte anos. A menininha da quinta série, que então me perguntava sobre minha atividade profissional, já deve ser mãe de família, e espero que seja tudo, menos professora."
Sem título - Prof ª. Maria Tereza Messa Azevedo
"Tinha quatorze anos e um sonho: ser uma professora de ginásio. Nos anos 60 o professor ainda era uma figura respeitada e tinha orgulho de sua profissão. Portanto, para a menina, ser professora era um sonho mas ela não via a mais remota chance de realizá-lo..."
Sem título - Prof ª. Vera Lúcia dos Anjos Prado
"Era excelente na área de Humanas e regular em Exatas. Tinha uma grande paixão: os livros. Amava-os. Devorava-os. Gostava muito de escrever. Quando tinha aula de redação, eu me realizava. Sonhava um dia tornar-me escritora e achava que na escola estaria o começo."
Sem título - Prof ª. Waldizia Moniz
"Ele não perdia uma aula. Dia após dia encontrava uma maneira nova de me provocar, gritando, assobiando, caindo da cadeira, tendo acessos de riso. Meus livros eram constantemente escondidos pelo Bertoldo. Apareciam sempre dias depois nos lugares mais estranhos."


Letra U
Um pé na África e o coração também - Profª Ana Maria da Costa
"Fazia mais ou menos uns quatro meses que eu estava em Maputo, capital de Moçambique. Por algum tempo, andei vazia e estrangeira pela minha terra. Para encontrar algum sentido, mudei de país."
Uma Flor Para a Professora - Sonia Aparecida Menegaz Thomaz de Aquino
"Começou a aula. Marilda notou que o Tonho não tinha vindo. No dia anterior também não viera. Isso a deixava triste. Sempre que começava a roçada, alguns alunos deixavam de freqüentar a escola, tinham que ajudar os pais."
Uma História Circular - Prof ª. Vera Lúcia Portilho Nicoletti
"Texto difícil, dizem alguns; complicado, retrucam outros. Um texto diferente que, de quebra, nos quebra. Dou um tempo para a leitura. A classe, confusa, parece não entender o texto. É difícil ler Guimarães Rosa, diriam vocês. Eu lhes diria difícil, poético, profundo."
Uma história como poucas - Prof ª. Alzira Gonçalves da Silva
"Era isso!... Palavras. Quando comunicou sua decisão de ir para a escola pela primeira vez, aos 12 anos, o pai enfezou, os irmãos riram e a mãe chorou por todas aquelas reações."
Uma quase eterna luta - Prof. Carlos Antonio Lourival de Lima
"Já no primeiro bimestre eu notara a presença inquietante daquele aluno. Para tudo que era solicitado, ele virava de um lado para o outro, balbuciava guturalmente qualquer coisa, dava tapinhas na carteira e dizia pra si mesmo: 'nada a ver'."


Letra V
Vidinha de Professor... - Prof . Pedro João Bérgamo
"O cavaleiro, então. Nem cavaleiro, nem boiadeiro de profissão; nem peão. Levava preso às argolas misturança: comida, café, cadernos, livros, giz. No bate-que-bate ritmado da alimária assentava seu mundo de esperanças."